Marcos Coimbra: Pesquisas presenciais mudam o jogo, Bolsonaro só tem a si próprio para tentar a reeleição

As duas pesquisas mais recentes do Datafolha e do Vox Populi mostraram a possibilidade de que o ex-presidente Lula vença a eleição de 2022 no primeiro turno.

Debruçado sobre os resultados, o sociólogo Marcos Coimbra disse que as pesquisas presenciais, que estavam suspensas por causa da pandemia, mudam completamente o jogo, pois alcançam eleitores potenciais do ex-presidente que ficavam “escondidos” nos levantamentos feitos por telefone ou internet.

São homens e mulheres de baixa renda, que até possuem telefone celular, mas não passam o dia no Facebook, nem se informam através dos portais.

São os “lulistas submersos”, agora capturados pelos questionários feitos pessoalmente, em casa ou nas ruas.

Coimbra diz que Jair Bolsonaro está em uma situação muito difícil: nenhum presidente se reelegeu com os níveis de aprovação que ele tem a esta altura do jogo.

O pesquisador relembra que Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff estavam acima dos 50% de ótimo/bom faltando 16 meses para a reeleição.

Além disso, Bolsonaro tem uma rejeição consistente de 60% do eleitorado, o que indica que ele tem potencial para chegar ao segundo turno, mas com pouca possibilidade hoje de obter novo mandato.

Para além disso, Coimbra lembra que o atual ocupante do Planalto não tem exatamente o que mostrar ao eleitorado, a não ser a si próprio, o que vem fazendo ao se aproveitar da pandemia para promover aglomerações e gerar conteúdo para disseminar nas redes sociais, “vendendo” a imagem de um líder bem sucedido que não é confirmada pelas pesquisas.

De acordo com o Instituto de Métricas de Saúde da Universidade de Washington, o Brasil pode chegar a setembro deste ano com 800 mil óbitos causados pelo coronavírus e a tendência é a deste número atingir 1 milhão antes de terminar o primeiro mandato de Jair Bolsonaro.

Assim sendo, o ocupante do Planalto dependeria de vacinação massiva e rápida para permitir uma retomada da economia que pudesse criar algum clima de esperança no eleitorado, o que talvez aconteça apenas no segundo semestre de 2022.

Por outro lado, uma terceira onda no pico do inverno deste ano poderia trazer ainda mais desgaste político para Bolsonaro, especialmente com o andamento de uma CPI que pode incriminá-lo e a seu governo por crimes contra a Saúde Pública.

Marcos Coimbra sabe que conjunturas políticas mudam muito rapidamente, mas diz que no caso de Bolsonaro o presidente está fazendo o que lhe resta fazer: mobilizando a base da qual depende para evitar o  impeachment e, no plano eleitoral, garantir vaga no segundo turno em 2022. 

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