Eleito pelo Acre, Marcio Bittar gosta mesmo é do Mato Grosso do Sul

Senador usa verba do Senado para viajar a Campo Grande tanto quanto para Rio Branco

Por Fábio Pontes

Em outubro de 2018, o bolsonarista Márcio Miguel Bittar foi eleito senador da República pelo MDB para representar o Acre na Casa da Federação. Ao se olhar os dados do Portal da Transparência, vê-se que o parlamentar tem seu coração dividido entre ser o representante do Acre e do Mato Grosso Sul, localizado à léguas de distância daqui.

Em 2020, Bittar usou a chamada cota para o exercício da atividade parlamentar para comprar passagens com destino a Campo Grande tanto quanto para Rio Branco – e não se sabe a razão.

Conforme levantamento da reportagem, em 2020 o senador veio apenas 10 vezes à capital do Acre usando verbas da Casa. Já para Mato Grosso do Sul, terra de sua esposa e onde também tem família, o emedebista viajou sete vezes com tudo pago pelos cofres públicos.

Contando duas viagens para São Paulo e uma para Belo Horizonte, o número de passagens adquiridas pelo gabinete para outras regiões do país se iguala à quantidade de vezes que ele passeou pelo Acre.

Márcio Bittar veio ao estado por onde foi eleito numa média de uma vez ao mês. Em alguns meses nem mesmo colocou os pés por aqui.

Em janeiro de 2020, mês de recesso no Parlamento, Bittar ficou bem longe do Acre – assim como janeiro de 2021. Viajou apenas para São Paulo e Campo Grande, conforme o Portal da Transparência. Em fevereiro, voltou para a capital de Mato Grosso do Sul, e por fim decidiu dar as caras pelo Acre. Veio e voltou rapidinho.

Em março, quando o Brasil decretou situação de emergência por conta da pandemia da Covid-19, Bittar abandonou o Acre de vez.

Naquele mês, sua única viagem foi para Campo Grande. Em abril, conforme o Portal da Transparência, Bittar (milagrosamente) não viajou. Em maio foi para São Paulo, e junho para o lugar mais especial de sua vida: Mato Grosso do Sul.

Márcio Bittar só voltou a visitar o Acre em julho. Desembarcou em Rio Branco no dia 29 de julho e foi embora para Brasília em 3 de agosto; ou seja, ficou menos de uma semana aqui pelas bandas do Aquiry.

Já em agosto veio a Rio Branco – pasmem – duas vezes: nos dias 13 e 28. Antes, contudo, precisou passar por Campo Grande no dia cinco de agosto.

No dia dois de setembro, o parlamentar regressou, outra vez mais, para Campo Grande. Não se sabe se ele levou companhia, mas no portal do Senado constam duas passagens para o mesmo destino e dia no nome do senador.

Lá pelo dia 10 voltou a visitar as quentes terras acreanas, repetindo o itinerário nos dias 13 e 23 de outubro, quando também embarcou para Belo Horizonte em 28/10. Em novembro ele volta ao Acre duas vezes: nos dias 4/11 e 25/11.

Cristão conservador como é, Márcio Bittar não poderia passar dezembro longe do Acre para desejar um feliz natal aos amigos, ainda que bem rapidinho. Ele desembarcou por aqui no dia 17/12, e no dia 19 já estava muito bem acomodado na poltrona 2C do AirBus da Latam de volta a Brasília.

Desde então, o paradeiro do senador eleito pelo Acre era desconhecido até que, essa semana, reapareceu virtualmente para criticar as medidas rígidas de isolamento social adotadas pelo governo Gladson Cameli, entre elas o fechamento do comércio não essencial.

Apareceu com um novo visual. Com a pele bastante torrada após passar as férias, dizem, pelo litoral nordestino.

Eleito para representar o Acre, o senador bolsonarista gosta mesmo é de ficar bem longe desta quente e úmida terra. Pouco pisou por aqui em um ano de pandemia que causou e causa graves problemas para a sociedade acreana.

Por sinal, alguém poderia elencar uma ação feita por ele para mitigar os efeitos da pandemia por aqui? Talvez Mato Grosso do Sul, único estado do Brasil a contar com quatro senadores, tenha se favorecido mais.

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