Inauguração do Huerb segue rito normal da democracia; Cameli recebeu a obra licitada, em execução e com dinheiro em caixa

Gladson Cameli entrega hoje o Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) verticalizado.

Sem dúvida é um marco na história, mas está longe de ser a panaceia, a solução de todos os males da Saúde pública acreana.

Não há nada revolucionário no ato.

Também há uma distância gigante entre o que está sendo vendido e o que algumas pessoas pensam em comprar.

Integrantes do governo usam os seus exércitos nas redes para dizer que Gladson Cameli fez em sete meses o que os governos do PT não fizeram em 10 anos.

Menos, gente, menos… Cameli ainda não disse a que veio.

O que o governador fará hoje é um procedimento normal nas regras de transição democrática.

Ele irá inaugurar uma obra iniciada em governos anteriores. Ele pegou uma obra licitada, em andamento e com recurso em caixa.

Estranho seria se não inaugurasse ou que optasse pela demolição do prédio.

Nos últimos 20 anos, o único governador que não teve obra para concluir do seu antecessor foi Jorge Viana.

Embora passe a ter o seu nome na placa de inauguração, Cameli não lutou para colocar um tijolo no Huerb verticalizado. Se pedirem, não terá como apresentar uma nota fiscal adquirida na sua administração.

Essa verticalização estava praticamente concluída em dezembro de 2018.

Ao término do governo Tião Viana, a obra estava com 90% concluída. Faltava basicamente o sistema de refrigeração.

Seria um gesto de dignidade e grandeza de Gladson Cameli e sua equipe reconhecerem o esforço e a capacidade de superação de quem lutou pela obra.

Na transição, a equipe do atual governo pediu para que o hospital não fosse inaugurado e que novos profissionais não fossem contratados.

Esse fato faz lembrar de uma frase do presidente americano Abraham Lincoln, que disse: “A bússola aponta o norte, mas não revela pântanos, montanhas e demais obstáculos que enfrentaremos ao longo do caminho”.

Quando iniciou a obra, o então governador Binho Marques estava com a bússola apontando o caminho certo. Mas havia percalços variados. Um deles foi o término do seu mandato.

Tião Viana, o sucessor de Binho Marques, focou em muitas outras prioridades, dentre elas a entrega de 14 mil casas populares, investimento em mais de R$ 1 bilhão na produção e outro R$ 1 bilhão no programa Ruas do Povo.

Mas não descuidou da Saúde, ampliou serviços existentes e trouxe outros, como o de procedimentos cardíacos, que não existiam no Acre.

Tião Viana enfrentou os mais diversos obstáculos para conseguir os recursos necessários à conclusão do Huerb.

Um deles eram parlamentares que apoiavam o presidente Michel Temer querendo travar o financiamento junto à Caixa Econômica Federal.

A Caixa era da conta do PP, mesmo partido do governador Cameli. Não consta que o então senador tenha ajudado na captação dos recursos. A informação é outra.

Os desafios foram superados. Em dezembro de 2017, Tião Viana assinou a ordem de serviço para as obras do hospital.

Em novembro do ano passado, Viana conseguiu mais R$ 9 milhões, deixando os recursos em caixa. Também entregou 33 novos leitos.

Não é justo querer forjar a história na base da patralha.

Gladson Cameli vai entregar a obra. Isso é ótimo. Mas ele não licitou, não foi atrás de recurso e não foi responsável por um tijolo.

Cameli irá inaugurar muitas outras obras deixadas licitadas e com dinheiro para pagar.

Por fim, é bom o governador ficar atento, pois uma obra dessa magnitude gera expectativas. Os problemas, em vez de diminuir, podem aumentar.

O povo vai cobrar ainda mais melhoria na Saúde militarizada.

São por essas e outras que há uma voz corrente apontando a possibilidade de Gladson Cameli vir a ser o governador mais mendacioso da história acreana.

Foto: Sérgio Vale.

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