Há 20 anos. Hildebrando perdia o mandato de deputado federal; ele seria preso um dia depois

Há 20 anos, no dia 22 de setembro de 1999, a Câmara dos Deputados dava um importante passo para garantir a prisão de um dos personagens marcantes da história recente do Acre.

A Câmara cassou o mandato do deputado federal e coronel da Polícia Militar Hildebrando Pascoal (PFL – atual Democratas).

A decisão foi o resultado de um longo processo que teve seu ápice com o envio de um dossiê sobre o parlamentar e o crime organizado para aquela casa parlamentar e para o Senado.

O documento foi produzido pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) e, depois, investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico.

Um dia apَs perder o mandato, Pascoal era preso pela Polícia Federal sob a acusação de prática de diversos crimes, entre eles, o assassinato do mecânico Agilson Santos Firmino, o Baiano.

Esse caso, ocorrido em junho de 1996, ficou mundialmente conhecido como o Caso da Motosserra, já que Baiano teve braços e pernas decepados a golpes dessa ferramenta.

Além de Hildebrando, cerca de 50 outras pessoas acabaram presas na mesma operação, todos acusados de crimes que iam de homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa. Foi esse o maior golpe contra o crime organizado no Acre até então.

Depois de deposto, Hildebrando foi enviado para o Acre, onde cumpriu pena até ano de 2017, quando foi posto em liberdade para cumprir o restante de suas penas em regime semiaberto.

O julgamento do Caso da Motosserra ocorreu após dez anos, em setembro de 2009. Por esse crime, ele recebeu a pena de 18 anos de prisão. Três anos antes, em 2006, havia sido condenado pelo assassinato do soldado-bombeiro Sebastião Crispim, ocorrido em 1997. Sua pena também foi de 18 anos.

Somadas, suas penas ultrapassam a casa dos 100 anos.

Para relembrar o Caso da Motosserra

O Caso da Motosserra, um dos mais horrendos da história policial brasileira, ocorreu a partir do assassinato do subtenente Itamar Pascoal, no dia 30 de junho de 1996, depois de uma discussمo em um posto de gasolina da cidade. Ele foi morto com um tiro disparado por José Hugo Alves Júnior, o Mordido.

Agilson Santos Firmino, o Baiano, não participou do crime, mas estava junto com Hugo durante o corrido. As informações colhidas à época dão conta de que Baiano estava em um carro estacionado próximo.

Hora depois do ocorrido, Baiano foi preso por Hildebrando e seu grupo, levado para um local de sua propriedade, onde foi submetido a tortura. Em seguida, foi morto e teve seu corpo esquartejado com um motosserra.

O mesmo fim também teve seu filho, Wilder Firmino, que à época tinha 14 anos. Ele foi sequestrado e morto a tiros.

Antes, porém, teve sua coluna quebrada e teve o corpo queimado com ácido.

José Hugo foi encontrado por Hildebrando no Piauí. Ali foi assassinado a golpes de faca. Sua cabeça foi trazida para o Acre. Segundo o que se conta a respeito, ela foi exposta durante uma comemoração realizada em uma fazenda da família Pascoal.

Hoje doente, Hildebrando Pascoal retornou ao presídio, por ordem judicial.

Foto de Hildebrando: Marcos Vicentti.

Related Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto:
Close Bitnami banner
Bitnami