Gladson termina o segundo ano de mandato com o governo minado por casos de corrupção

O áudio que você vai ouvir na sequência não é novo, mas está longe de ser antigo.

É do primeiro semestre, quando o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), fazia tratativas para contratar, sem licitação, a empresa Mediall Brasil para gerenciar o hospital referência no tratamento da Covid-19.

No áudio, o representante da empresa desabafa com um cidadão chamado Peixoto, que exerce cargo influente na Sesacre. 

O desabafo é revelador e apontar indícios de pagamento de propina.

Ouça:

Ao que tudo indica, os entraves foram superados e a Mediall contratada por muitos milhões de reais para cuidar do Into-Covid.

O serviço prestado é de qualidade duvidosa, sendo alvo de muitas reclamações e denúncias.

O áudio que você ouviu faz parte de uma representação feita pelo deputado federal Leo de Brito (PT) junto à Procuradoria-Geral da República.

Trata-se de mais um caso no governo Gladson Cameli (PP), que merece ser investigado profundamente por conter indícios claros de ilegalidade.

Indícios de corrupção não faltam no governo Cameli. Diversas denúncias vieram a público aqui neste Portal e por meio do  vice-governador Wherles Rocha (PSL).

Também há várias representações nos órgãos de controle feitas pelos deputado estaduais Daniel Zen (PT) e Edvaldo Magalhães (PCdoB).

Há casos que culminaram com prisões de suspeitos, como o superfaturamento na compra de merenda escolar, e de dirigentes de autarquia, no caso o ex-presidente do Depasa Tião Fonseca.

Fracionado em várias facções políticas, o governo Gladson Cameli parece um campo minado pela corrupção. 

Infelizmente, o que chama a atenção é a quase omissão dos órgãos de controle, que não abrem procedimentos para apurar os flagrantes casos de ilegalidade.

Vamos rememorar alguns casos nos últimos dois anos:

Murano, a papa tudo em obras

Um dos primeiros escândalos do governo Cameli veio por meio da contratação de uma empresa do Distrito Federal chamada Murano Construções. 

A empresa chegou ao Acre trazida pelo então secretário de Infraestrutura Thiago Caetano e papou tudo.

O governo pegou uma carona superior a R$ 50 milhões do Instituto Federal de Educação de Ceres, em Goiás. Desse valor, a administração estadual formalizou contrato em cerca de R$ 30 milhões.

A carona destinava-se à manutenção predial, mas foi usada de forma irregular até para construção de estrada.

Desgastada, a Murano foi descartada. Veja a primeira denúncia aqui.

Roubo na mereda escolar

Em abril deste ano, a Polícia Civil cumpriu sete mandados de prisão temporária, 20 mandados de busca e apreensão nas sedes de empresas em Rio Branco, Tarauacá, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul.

Tratava-se do desdobramento das investigações para desmontar um esquema que teria movimentado mais de R$ 20 milhões no desvio de recursos públicos destinados à merenda escolar.

Na época, no próprio governador veio a público apoiar a iniciativa.

O controlador-geral do Estado, Luiz Soares, declarou: “O grave também é que as notas foram atestadas como se os insumos tivessem sido entregues ao almoxarifado, porém boa parte não consta no estoque e não há rastreabilidade”.

O Estado estava pagando por carne de primeira, mas o alunos comiam carne de terceira. Veja a matéria.

Passado quase um ano, essa situação parece ter caído no esquecimento pela administração estadual.

Sacolões superfaturados enchem os bolsos de empresário

A pandemia da Covid-19 trouxe sérios prejuízos à população, mas sempre tem aqueles que vendem lenço, enquanto os outros choram.

Com as aulas na rede pública de ensino suspensas, o governo do Estado quis fazer média com os alunos e tratou de adquirir sacolões para distribuir às famílias.

A medida, porém, trouxe um peso extra ao erário: o superfaturamento.

Matéria publica aqui no Portal trouxe o caso à baila, a denúncia foi levada ao Ministério Público, mas não se tem nenhuma notícia sobre o desdobramento.

Veja a denúncia aqui, com documentos.

O vice-governador declarou que iria pedir investigação.

Computadores superfaturados em quase R$ 3 milhões

Há um ano, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Esporte, comprou mais de R$ 10 milhões em computadores.

A transação trazia indícios de ilegalidade, pois a empresa supostamente entregou os equipamentos em um dia e, dois dias depois, recebeu pela mercadoria.

O fato foi denunciado aqui no Portal, veja.

Passados alguns meses, o vice-governador também identificou um superfaturamento de quase R$ 3 milhões. Veja aqui.

Tanto a denúncia feita pelo Portal quanto a de Rocha foram ratificadas por técnicos do Tribunal de Contas do Estado, que atestaram várias irregularidades no processo. Veja aqui.

FênixSoft e Avancard

Uma das transações mais suspeitas feitas pelo governo foi a negociação com a empresa FênixSoft para administrar os empréstimos consignados dos servidores públicos estaduais.

Trazida de Manaus e contratada sem processo licitatório, a empresa tem sido objeto de criticas e denúncias, principalmente por oferecer o cartão Avancard, que pode aumentar ainda mais o endividamento dos servidores.

Esse processo nebuloso foi denunciado no Ministério Público Estadual pelos deputados Daniel Zen e Edvaldo Magalhães, mas não se tem noticias da abertura de procedimento pelo órgão.

Escândalos e prisão no Depasa

O engenheiro Tião Fonseca chegou à direção do Depasa por meio da indicação do senador Marcio Bittar (MDB).

Com menos de uma semana à frente da autarquia, Fonseca tratou de pagar uma reajuste à empresa sua esposa, no valor superior a meio milhão de reais.

O caso foi denunciado, em primeira mão, aqui no Portal e ganhou as manchetes dos demais veículos de comunicação.

Tião Fonseca foi preso e exonerado, mas não se tem notícia da devolução do dinheiro.

Veja a primeira denúncia.

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