Gladson Cameli submete José Bestene à sucessivas derrotas e humilhação pública; exoneração de Lúcio Brasil foi mais um capítulo humilhante

A extração do cirurgião buco-maxilo-facial Lúcio Brasil Coelho da cadeira de presidente da Fundhacre era favas contadas.

Sua exoneração, sem o uso de anestesia, fazia parte do processo de “desbestenização” da Saúde estadual implantado pelo governador Gladson Cameli, ao trazer, de Brasília, a pediatra Mônica Kanaan para ocupar o posto de secretária.

Cameli declarou que a senhora Kanaan tinha a missão de “despolitizar” a Saúde.

O único político influente no setor era Bestene.

Desde o início, Kanaan mostrou que não veio para brincadeira. Tratou de se blindar, por meio de assessores militares amigos de seu esposo, que também é da caserna.

A “desbestenização” trouxe a “militarização”.

Há cerca de duas semanas, Brasil Coelho bateu de frente com a secretária, não prestou continência. Foi criticado publicamente pelo governador e defendido apenas pelo seu padrinho político, o deputado estadual José Bestene.

Lúcio Brasil passou a ser tratado como um dente incômodo, que precisava ser extraído.

A extração veio hoje em forma de decreto publicado no Diário Oficial.

Essa queda do presidente não derruba apenas o ocupante do cargo. É mais uma derrota impingida a José Bestene.

E como o vaidoso Bestene tem perdido neste governo…

Ele nem nos seus piores pesadelos imaginava que seria tratado assim, como um pária.

É impossível imaginar a vitória de Gladson Cameli sem o papel desempenhado pelo deputado durante o processo de formação de chapas e alianças.

Em todas as etapas, Bestene cumpriu funções fundamentais. Foi ele, por exemplo, que não aceitou pressão de partidos como o MDB na formação das chapas para deputado estadual.

Estava certo: o PP elegeu três representantes para a Assembleia Legislativa.

Cacifado pelo resultado das eleições, o velho político achou que teria mais influência na administração estadual.

Errou feio. Suas expectativas foram frustradas.

José Bestene só perdeu. E foram derrotas públicas, humilhantes.

O sexagenário deputado nunca escondeu que queria ser o todo poderoso chefe da Casa Civil. Cameli foi buscar o principal assessor do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Antonio Malheiro, o advogado Ribamar Trindade, para o posto estratégico.

Preterido ao lado do governador, Bestene fez movimento para assumir a Secretaria de Saúde. O governador nomeou Alysson Bestene justamente para frear as pretensões do tio.

Rifado nos cargos da administração, o político queria ser presidente da Assembleia Legislativa, fez todos os movimentos e até conquistou aliado. A cadeira está ocupada por Nicolau Júnior, cunhado do chefe do Executivo estadual.

E as derrotas de José Bestene não têm parado. Ele também perdeu até a presidência do seu partido, o PP.

Tentou novamente ser “convidado” para a Casa Civil ou Saúde. Deu com os burros n’água.

José Bestene vem amargando derrotas consecutivas para a secretária Mônica Kanaan. A exoneração de Lúcio Brasil foi apenas mais uma no portfólio de insucessos.

Gladson Cameli não tem apenas derrotado José Bestene, o seu antigo conselheiro. Ele tem feito questão de humilhar.

Resta saber o que está por trás dessa necessidade de submeter o deputado à humilhação pública. Pode ser alguma vingança de algo que aconteceu no passado.

Certamente não é porque, em abril deste ano, Bestene orientou um eleitor a “sacanear” Cameli nas redes sociais.

Como será que Bestene se comportará a partir de hoje é a dúvida.

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