Enquanto Gladson faz juras de amor a Bolsonaro, presidente coloca a corda no pescoço dos governadores

Por Fábio Pontes

O desaparecido senador Márcio Bittar (MDB) – que estava há quase dois meses sem dar as caras pelo Acre – ressurgiu essa semana e se encontrou com o governador Gladson Cameli (PP).

Juntos, os dois disseram que estão fechados com Jair Bolsonaro (sem partido) para 2022. Isso até quando João Doria (PSDB) não desembarcar em terras acreanas e fazer agrados a Cameli.

Mas, enquanto o governador faz juras antecipadas de amor a Bolsonaro, o presidente prepara o golpe contra os governadores no Congresso.

Diante da insatisfação popular com o atual preço dos combustíveis no país – o que só aumenta o desgaste presidencial – Bolsonaro quer que os parlamentares aprovem projeto que incida a cobrança do ICMS – principal imposto de sobrevivência dos estados – não mais sobre o preço dos combustíveis na bomba, mas, sim, no valor que sai das refinarias.

A mudança representa perdas milionárias para os governos regionais. Para um estado pobre como o Acre, a situação é ainda mais crítica. Cameli já opera no limite do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal no gasto com a folha de pagamento.

Reduzir a receita de ICMS significa menos dinheiro nos cofres do governo e das prefeituras; ou seja, menos recursos para manter uma máquina inchada.

No começo do ano, o governador vetou a sua própria reforma administrativa que implicaria na economia de alguns milhões de reais, mas de alto custo político para sua base.

Agora, Cameli, que tantas juras de amor faz a Bolsonaro, vê o presidente armando para tirar dinheiro dos estados.

Com a medida, lógico, só quem ganha é Bolsonaro, pois surfará numa onda de popularidade, apaziguando a fúria dos caminhoneiros, categoria nada satisfeita com o preço dos combustíveis.

O resultado é que, caso de fato o Congresso aprove a mudança, o presidente cairá nos braços da galera, enquanto os governadores vão ficar com o pescoço na guilhotina.

Não se sabe se Cameli terá força suficiente para mobilizar a bancada federal do Acre para rejeitar a matéria. Com a grande maioria dos parlamentares sendo bolsonarista de carteirinha – e também querendo pegar carona no debate dos preços dos combustíveis – o chefe do Palácio Rio Branco vai ter que gastar muita saliva – e liberar uns cargos a mais.

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