Enem: 13 coordenadores do Inep pedem exoneração coletiva

Saída, causada pelo agravamento da crise no órgão, acontece a 13 dias da prova. Servidores dizem que decisões não são tomadas com critérios técnicos

Renata Cafardo e Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

Treze servidores do órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pediram nesta segunda-feira, 8, exoneração e dispensa coletiva. Faltam 13 dias para a primeira prova, marcada para os dias 21 e 28, com 3 milhões de estudantes.

O ato é um agravamento da crise que se instaurou no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) desde o início do governo de Jair Bolsonaro. O atual presidente Danilo Dupas – o quarto em três anos – é acusado pelos funcionários de desmonte do órgão mais importante do MEC, assédio e desconsideração de aspectos técnicos na tomada de decisões.

A carta de demissão, ao qual o Estadão teve acesso, diz que eles entregam os cargos por causa da “fragilidade técnica e administrativa da atual gestão máxima do Inep”. Afirmam, no entanto, que pretendem continuar a disposição do Inep pelo “compromisso com a sociedade e o empenho com as atividades relacionadas às metas de 2021”. Todos são servidores antigos e experientes, que já passaram por várias provas do Enem. Mais servidores devem assinar a carta ao longo do dia.

Nos últimos meses diversos servidores do órgão passaram a pedir exoneração. Na sexta-feira, dois coordenadores pediram para deixar áreas cruciais do Enem – a montagem da prova e a logística. Segundo o Estadão apurou, integrantes da Cesgranrio, consórcio contratado para aplicar o Enem, temem o que possa acontecer com a prova sem a interlocução e a experiência dos técnicos que têm deixado seus cargos.

Pediram exoneração de seus cargos e funções os servidores Samuel Silva Souza, Camilla Leite Carnevale Freire, Douglas Esteves Moraes de Souza, Patricia da Silva Honório Pereira, Dênis Cristiano de Oliveira Machado, Alani Coelho de Souza Miguel, Natalia Fernandes Camargo, Gizane Pereira da Silva, Marcela Guimarães Côrtes, Vanderlei dos Reis Silva, Nathália Bueno Póvoa e Hélida Maria Alves Campos Feitosa.

Entre os servidores que assinaram a carta estão coordenadores gerais de áreas, como Marcela Guimarães Côrtes, da gestão de pessoas do Inep.

Na quinta-feira, uma manifestação da Associação de Servidores do Inep (Assinep)denunciou assédio moral do presidente do Inep e avisou que o Enem estava “em risco” pelo clima de medo instaurado no órgão. “Só restou aos servidores tomarem essa atitude para que  consigam ser ouvidos e para que o Ministério da Educação tome as providênicias necessárias para que voltemos a ter condições de realizar nosso trabalho com harmonia e segurança”, disse presidente da Assinep, Alexandre Retamal.

Veja mais no Estadão.

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