Enchentes podem agravar quadro de pandemia na fronteira, alertam cientistas

Por Fábio Pontes

Cientistas com atuação na tríplice fronteira Brasil-Bolívia-Peru e que integram o grupo MAP (Madre de Dios, Acre e Pando) emitiram alerta sobre o risco de colapso na região por conta do agravamento da pandemia em consequência das enchentes de rios e igarapés que podem desabrigar milhares de famílias. De acordo com carta elaborada pelo grupo, o transbordamento dos mananciais ocasionado pelo alto volume de chuvas tende a aumentar o número de pessoas infectadas pelo coronavírus.

Como muitas famílias precisam deixar suas casas durante a inundação, sendo levadas para abrigos formando aglomerações, a tendência é de que o contágio ocorra de forma mais intensa. Este aumento de contaminados pode ocorrer no momento em que o sistema público de saúde enfrenta um colapso com hospitais superlotados e sem vagas de UTI Covid.

“Durante uma pandemia, como a da Covid-19, tal proximidade [de desabrigados] pode desencadear um colapso dos sistemas de saúde pública com uma transmissão acelerada da doença no mesmo tempo em que a capacidade hospitalar e o apoio da Defesa Civil estão comprometidos”, diz o documento do grupo MAP.

Nesta quarta, 10, o rio Acre ultrapassou a cota de transbordamento, atingindo a marca dos 14,03m. Vale ressaltar que o rio é o limite natural que separa as fronteiras dos três países. Para os especialistas, muito mais do que apenas fechar as fronteiras, os governos sub-regionais devem intensificar os diálogos entre si para conter os efeitos da pandemia e da enchente na região. Eles lembram que cidades como Cobija, Brasileia e Epitaciolândia têm elevada integração social, cultural e econômica, numa relação de interdependência.

“Controlar as fronteiras com sabedoria, dado a interdependência entre as populações. Soluções sem ser bem pensadas podem resultar em problemas múltiplos e piores do que o problema original”, apontam os cientistas como uma das soluções para enfrentar o problema da pandemia x enchente.

As outras duas medidas mais práticas defendidas é a antecipação para isolar pessoas com sintomas da Covid-19 que sejam enviadas para abrigos – para evitar a contaminação de outros indivíduos -, além da coordenação e compartilhamento de informações entre os três governos de fronteira nas áreas de saúde e defesa civil.

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