Economista comprova que dinheiro tem, o que falta é gestão no governo Gladson Cameli

Acre 62 mil pessoas na fila por um trabalho, 159 mil na informalidade e 45 mil desalentadas

Coordenador do Observatório do Desenvolvimento, o professor Orlando Sabino publicou artigo no site ac24.com – veja aqui – confirmando o que a sociedade acreana está cansada de saber: o governo Gladson Cameli tem dinheiro em caixa, o que falta é gestão e capacidade técnica para execução.

O Observatório do Desenvolvimento é um instrumento criado pela Federação das Indústrias do Acre (Fieac) para acompanhar os investimentos no Estado e como a economia se movimenta.

Segundo Sabino, a administração Cameli dispunha de mais de R$ 1,7 bilhão em caixa durante a pandemia da Covid-19, mas aplicou somente R$ 138  milhões.

 

O que não é dito no artigo é que esse superávit advém de uma perversidade: enquanto os preços aumentam (inflação), o que aumenta a arrecadação própria e os repasses (FPE e FUNDEB), a despesa não cresce no mesmo ritmo porque o governo não aumenta salários e nem reajusta muitos contratos de fornecimento para a administração estadual.

“A trajetória ascendente das disponibilidades de caixa esteve diretamente associada a um aumento do superávit primário do estado, possibilitado principalmente pelas transferências compensatórias em resposta à pandemia da Covid-19 em 2020 e pelo maior dinamismo da economia no primeiro semestre de 2021, mas também pela maior inflação no período”, explica.

Sabino argumenta que é  importante destacar, que assim como a maioria dos estados brasileiros, a situação fiscal e financeira do Acre em 2018 estava degradada. Em 2019 e 2020 constata-se a gradual melhora das contas.

“Pelo superávit primário no primeiro semestre de 2021 sugere-se que o movimento observado em 2020 tendeu a se manter e isso foi possível pelo crescimento marginal da despesa entre 2019 e 2021 em um quadro de aumento real da receita. O crescimento em 2021 é essencialmente explicado pelo crescimento do ICMS e das transferências do FPE e do FUNDEB”, salienta.

No Acre, explica, o aumento do superávit primário observado no primeiro semestre de 2021 permitiu que, mesmo após o pagamento do serviço da dívida, fossem acumuladas disponibilidades de caixa – que alcançaram 26,2% da receita corrente líquida (RCL) no primeiro quadrimestre (totalizando R$ 1,579 bilhão) e 27,6% da RCL no segundo quadrimestre (totalizando R$ 1.746 bilhão).

Teoricamente, explica o economista, essas disponibilidades deveriam abrir espaço para os governos estaduais retomarem uma agenda de investimento, principalmente quando as restrições impostas pela pandemia fossem flexibilizadas.

“Infelizmente os números não indicam que essas disponibilidades estejam sendo usadas para a realização dos investimentos. Em gráfico, destacamos os níveis de investimento do governo estadual que continuam tímidos, muito longe dos níveis de execução verificados no terceiro quadrimestre de 2018 onde foram executados 54,3% da dotação disponibilizada para aquele ano”, relembra.

Ao contrário do governo anterior, que mesmo em dificuldades fez a opção pelo investimento, o atual optou por uma estranha poupança.

Até agosto de 2021, o governo estadual tinha executado somente 17,5% dos recursos disponibilizados em orçamento, ou seja: um gasto de R$ 138 milhões para uma disponibilidade de R$ 789 milhões no ano.

“Mesmo sabendo que a disponibilidade de recursos não é uma condição suficiente para o investimento, no entanto, a nossa realidade econômica e social estão demonstrando que precisamos muito que essas disponibilidades sejam transformadas em investimentos”.

Orlando Sabino diz esperar que a conquista dessa liquidez não seja absorvida em outros gastos obrigatórios, mas que não geram os mesmos efeitos do investimento.

Para ele, o governo precisa identificar as melhores oportunidades de investimento, de modo que os recursos possam efetivamente contribuir para lidar com os problemas estruturais que temos e que foram aprofundados ao longo da pandemia.

“A realidade econômica do Acre, assim como de todo o país é dramática. O convívio de inflação e desemprego tem levado ao empobrecimento de grande parte dos lares acreanos” destaca.

Sabino frisa que a  fome está castigando parte significativa da sociedade. “Ainda temos 62 mil pessoas na fila em busca de um trabalho; a informalidade atinge 159 mil pessoas ocupadas; temos 45 mil pessoas desalentadas, aquelas que desistiram de procurar trabalho devido às condições estruturais do mercado; o contingente de pessoas subutilizadas soma 173 mil. A taxa de inflação de Rio Branco, nos primeiros 8 meses do ano, já acumula uma alta de 6,5%”.

Em resumo, o servidor público, trabalhadores e demais assalariados, no caso do Acre, estão bancando o superávit do governo, a disponibilidade de caixa e o governo não dá retorno em investimentos (obras públicas, entre outros).

 

 

 

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