É dever até dos aliados não levar a candidatura de Márcia Bittar ao Senado a sério

O Acre já teve um deputado federal que, além de não ter tido um voto, não guardava nenhum vínculo com o então Território Federal.

O fato aconteceu nas eleições de 1946, quando o Território Federal passou a ter direito à duas cadeiras na Câmara dos Deputados.

Hermelindo de Gusmão Castelo Branco Filho é o nome do cidadão que não obteve um voto sequer, mas representou o Acre até 1951.

Radicado no Rio de Janeiro, o homem sem voto se elegeu na chapa de Hugo Carneiro, que fora governador entre 1927 e 1930 e teve votos suficientes para levá-lo de carona.

Ambos eram do PSD e derrotaram Oscar Passos, que veio a ser o primeiro presidente nacional do MDB na década de 1966.

Passados tantos anos, o Acre parece continuar sendo terra fértil para aventureiros tentarem conquistar mandato e se darem bem na política.

Historicamente, diversos são os casos de personalidades que tentaram ou conseguiram mandato com os votos dos acreanos.

Impossível esquecer de Zamir José Teixeira, que chegou a ser suplente de senador.

O caso mais recente aconteceu nas eleições de 2018, quando um notório aventureiro conseguiu um mandato de senador da República.

Marcio Bittar é figura completamente dissociada do Acre e dos acreanos. Essa dissociação aumentou quando ganhou o mandato de oito anos, a ponto de destinar mais recursos para outros estados do que para o estado que lhe elegeu.

Pois bem.

Não satisfeito com o próprio mandato, Marcio Bittar surge com a história de querer emplacar a sua esposa como senadora acreana.

Seria risível se fosse piada, mas parece que estão levando a coisa a sério.

Segundo amplamente divulgado na imprensa, a senhora Márcia Bittar não é mais esposa, mas ex-esposa. Há um caminhão de pessoas que não acreditam.

Independente de ser esposa ou ex-esposa, o povo acreano não pode ser levado ao erro duas vezes.

Uma candidatura como essa deveria ser repudiada até pelos supostos aliados. Afinal, embora alguns não encarem assim, política é coisa muito séria.

Conceder um mandato de senadora a uma pessoa por mero capricho de divergência familiar é brincar com a importância que o voto tem no regime democrático.

Se o seu marido pouco ou nada fez pelo Acre, ela fez muito menos. Trata-se de uma candidatura que não merece ser levada a sério porque não é séria.

Essa senhora, com todo respeito, desconhece as coisas comezinhas do povo acreano. Prega o mesmo discurso raivoso do bolsonarismo como se isso lhe fosse assegurar o votos necessários à boa vida no Senado.

O tempo de conseguir mandato sem voto e sem colocar os pés na estrada acabou. Não basta ter muito dinheiro de orçamentos secretos ou de casas nada santas da obter a vitória.

Politica não deve ser espaço para resolução de acordos de separação conjugal. Porque parece que Marcio e Márcia estão mais juntos separados do que quando juravam amor eterno.

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