CRÔNICA: Chegou a hora de menos espinhos e mais rosas na minha vida

Até há pouco tempo se alguém chegasse para mim é falasse sobre cultivar flores e criar animais, era muito provável que eu retrucasse com veemência e até com certa grosseria.

Somos criado como pedra bruta, que vai sendo esculpida ao longo dos anos.

Muitos, infelizmente, não conseguem aprender com os erros e olhar para a frente na perspectiva de que sempre podemos extrair o que há de melhor em cada um de nós.

Por princípio de vida não sou daqueles que ficam remoendo o passado.

Felizmente, mágoa, ódio, rancor ou qualquer outro tipo de sentimento ruim não consegue penetrar em mim.

Tenho couraça de aço contra coisas que não possam trazer benignidade.

Aproveito os ensinamentos da vida para vislumbrar o que posso fazer no futuro.

Quem passa do meio século de vida não pode ficar olhando no retrovisor da história. É imperioso mirarmos o parabrisa, pois o tempo é cruel e doce ao mesmo tempo.

Comecei falando de flores e animais.

Quando começamos a cuidar deles parece que a vida fica mais leve.

Faz pouco mais de um ano que entrou uma cachorrinha nas nossas vidas, na minha e da Charlene, minha companheira de vida.

A cachorrinha atende pelo nome de Lolla.

Como a Lolla é carinhosa. É incrível o tanto que transmite paz e felicidade. Ela não pede e nem cobra nada, só carinho e atenção.

Quando estou com ela fico refletindo que a vida seria mais leve se procurássemos dar mais do que receber, amar mais do que ser amado, perdoar mais do que ser perdoado.

Certamente viveríamos melhor, mais felizes.

Nesse deserto de sentimentos em que vivemos, também resolvi cultivar flores.

Tenho, no pequeno espaço onde moro com a Charlene e dois enteados, o Ruan e o Lucas, três exemplares de rosas do deserto.

É incrível como são bonitas quando brotam. O colorido delas colorem a alma.

As rosas, mesmo as do deserto, precisam de água para sobreviver. Não deixo de regá-las, pois sei que as vidas delas dependem da minha dedicação.

Além das rosas e Lolla, sou pai de cinco filhos sanguíneos. Talvez por ter não ter apreciado o quanto é importante enxerga o simples, pedir contato paterno e afetivo com a maioria.

Quis ser amigo dos meus filhos. Acho que errei nessa missão com a maioria. É duro, mas é fundamental admitir.

Mas vida segue. Não me resta pela frente o mesmo tempo que vivi para trás.

Hoje, com mais maturidade, admito que espalhei muitos mais espinhos, deixando de plantar rosas.

Essa opção apresenta a conta diariamente, seja por meio da falta de contato mais próximos com os filhos, dos processos judiciais, de bloqueios econômicos ou outros tipos de represálias.

Por tudo que vivi, experimentei e experimento, acredito que é tempo de baixar as armas sem abandonar a batalha.

Encarar a realizada de outra forma sem deixar de sonhar.

Quem lutou contra moinho de vento foi Dom Quixote. Não tenho nem o Sancho Pança ao meu lado.

Certamente tem guerreiros mais habilitados para enfrentar os combates.

Cultivando plantas aprendi que mesmo as rosas do deserto necessitam de água para sobreviver, se não deixam de fazer a travessia da vida e de brotar.

Convivendo com a Lolla tive a certeza de que a lealdade tem que ser recíproca.

Não sairei do campo de batalha, isso faz parte dos meus ideias e sonhos.

Mas é hora de colocar menos espinhos e de plantar mais flores.

Vou focar em lutar a minha luta: a da sobrevivência.

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