COP-26: Acre precisará voltar a ter política ambiental para receber recursos internacionais

Iniciativa privada e governos mundiais pretendem investir US$ 19,2 bilhões para restauração de terras degradadas, a luta contra os incêndios florestais e a defesa dos direitos das comunidades indígenas.  

Nada como um dia atrás do outro.

Duramente criticada pelos antigos opositores – e até por quem está no poder -, a política ambiental desenvolvida pelos governos petistas no Acre pode ser a salvação da lavoura.

Gladson Cameli foi à COP-26 levando na bagagem o vazio de política ambiental inexistente em seu governo. Levou mesmo foi um verdadeiro batalhão de pessoas com diárias superiores a R$ 32 mil.

Com menos conhecimento ambiental do que o governador, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, também foi a Glasgow, na Escócia, fazer sabe-se lá o quê.

Só que esse políticos que têm manifesta ojeriza à questão ambiental podem ser beneficiados pela preocupação que os países e as grandes corporações têm com o meio ambiente.

Isso porque mais de 30 instituições financeiras se comprometeram a eliminar o investimento em atividades vinculadas ao desmatamento. O anúncio foi feito em um evento da Cúpula dos Líderes Mundiais sobre Florestas e Uso da Terra

Juntas, essas instituições administram US$ 8,7 trilhões em ativos. É muito dinheiro.

Essa corporações também anunciaram mudanças no comércio sustentável de commodities florestais e agrícolas, além de ações de apoio aos povos indígenas e comunidades locais.

“O objetivo é se distanciar de portfólios que investem em cadeias de suprimentos de commodities agrícolas com alto risco de desmatamento e buscar uma produção sustentável”, informou o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra), do Reino Unido, sede do evento.

Serão mobilizados, ainda, segundo a Defra, US$ 7,2 bilhões para apoiar a economia florestal.

É ai que o Acre, que tem política ambiental definida pelos governos petistas pode ser beneficiado. Basta que o governador admita a importância da floresta em pé e pare de incentivar queimadas desordenadas.

Na  verdade, o Acre foi um estado pioneiro nas relações com o banco alemão KFW e com o Fundo Amazônia, financiando pelo governo da Noruega.

Toda essa relação, cultivada durante anos, foi praticamente desfeita pela atual gestão, que passou a desconsiderar a importância do meio ambiente nas relações políticas e econômicas, a fim de assegurar qualidade vida para os indígenas, extrativistas e pequeno produtores.

Agora, o mundo parece acordar para fortalecer legados como o de Chico Mendes, assassinado em dezembro de 1988, justamente por defender a floresta e o homem dessa floresta.

Isso fica explícito quando se ver uma declaração do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson: “Países que abarcam dos bosques setentrionais do Canadá e da Rússia às florestas tropicais de Brasil, Colômbia, Indonésia e República Democrática do Congo vão apoiar a Declaração dos Líderes de Glasgow sobre as florestas e o uso da terra”.

Esses países, reúnem 85% das florestas do mundo, uma superfície de mais de 33,6 milhões de km2.

“Teremos a chance de encerrar a longa história da humanidade como conquistadora da natureza e, ao invés disso, nos tornamos seus guardiões”, afirmou Johnson, que classificou o acordo como inédito.

Essas medidas serão apoiadas por um fundo de US$ 12 bilhões de dólares de dinheiro público, aportado por 12 países entre 2021 e 2025, além de US$ 7,2 bilhões de investimento privado de mais de 30 instituições financeiras mundiais.

O dinheiro deve apoiar principalmente atividades em países em desenvolvimento, como a restauração de terras degradadas, a luta contra os incêndios florestais e a defesa dos direitos das comunidades indígenas.

“Isso fornecerá financiamento para países que reduzirem com sucesso as emissões do desmatamento, desde que essas reduções tenham sido verificadas e confirmadas de forma independente”, explicou a agência britânica, acrescentando que o financiamento será fornecido apenas por empresas já comprometidas com os cortes de emissões em suas próprias cadeias de abastecimento.

A iniciativa batizada de Finanças Inovadoras para a Amazônia, Cerrado e Chaco (IFACC, na sigla em inglês) anunciará US$ 3 bilhões para acelerar o combate ao desmatamento e a soja livre de conversão, conforme a agência britânica.

A transição global para um sistema sustentável de uso da terra e alimentos pode fornecer 4,5 trilhões de libras por ano de novas oportunidades de negócios até 2030, de acordo com o Defra.

“Na última década, cerca de 40 vezes mais montantes em financiamento fluíram para práticas destrutivas de uso da terra, em vez de proteção florestal, conservação e agricultura sustentável”, apontou comunicado.

O departamento explicou que esses investimentos e transições serão apoiados por uma declaração conjunta de nove bancos multilaterais de desenvolvimento – incluindo o Banco Mundial – que os compromete a integrar a natureza em seus investimentos e no diálogo político com os países.

Com informações do portal Terra e Estadão.

 

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