Conversa com Jorge Viana: “Acredito que, para virar a página, é preciso primeiro ter feito a leitura”

Foto: Gleilson Miranda e Leonildo Rosas

Esta semana fui convidado por Jorge Viana para lhe fazer uma visita no escritório montado por ele na Avenida Ceará, onde trabalha e conversa sobre política.

Os dias do ex-governador e ex-senador têm sido intensos, com muitas conversas com os representantes dos mais diversos segmentos da sociedade.

Jorge Viana me recebeu com o plano de governo quando concorreu a primeira vez, em 1990. Tinha pouco mais de 30 anos há época. Marcado pelo tempo, o documento foi rodado em mimeógrafo.

“sempre fizemos e tentamos seguir os nossos planos de governo”, salientou.

Foram quase duas horas de bate-papo.

Observei que atrás da sua mesa de trabalho há duas bandeiras: a do Brasil e a do Acre.

As bandeiras sinalizam possibilidades, na minha compreensão, dele concorrer ao governo ou ao Senado, como vem sendo aventado.

Ouvi muito. É da minha natureza ouvir mais do que falar.

Quando falei foi sobre quais são as minhas impressões sobre o presente e o futuro.

Sobre o Acre desgovernado e o Brasil pisoteado por um presidente que não faz jus ao posto que ocupa.

Senti um Jorge Viana leve, alguém que sabe onde quer chegar, mas que tem a perfeita noção de que não conseguirá voar sozinho.

Vi um homem que não quer ser pássaro de uma asa só, embora sai o papel de líder que lhe cabe no processo.

É inteligente o suficiente para compreender que não chegará longe sem contar com as asas dos antigos e novos aliados.

Jorge é um aliancista nato. Inaugurou essa forma de fazer política quando ajudou a criar a Frente Popular do Acre, no início da década de 1990.

Ele tem a consciência de que há um movimento fervendo como fogo de monturo, que pode acender uma candidatura majoritária. Há uma espécie de sentimento “volta Jorge”, que será muito difícil de segurar.

Jorge Viana não disse se aceitará concorrer ao governo, mas não negou. Também não confirmou a pretensão de concorrer ao Senado.

Deixa transparecer, porém, que pretende ter o seu nome nas urnas nas eleições de 2022. O tempo, as articulações e as pesquisas ditarão os rumos.

“Acho que haverá uma disputa entre o passado e o presente. É claro que apontar para o futuro é fundamental. Mas vejo essa possibilidade em nível nacional e com chances de ser replicado no âmbito local”, comentou.

Jorge Viana é um homem detalhista, um estrategista.

“Temos que defender uma política para os mais pobres. Pessoas estão passando fome. O governo do Estado tem dinheiro para acolher aos mais necessitados. Eu faria isso”.

Quem visita o escritório logo perceber o porquê de Viana ter conseguido colocar o Acre no prumo, quando assumiu o governo em 1999.

Tudo no escritório foi pensado nos detalhes, nos mínimos detalhes. Em cada canto há uma mensagem. Uma conexão com o passado, o presente e o futuro.

Viana herdou um Estado em condições de penúria, em situação à beira da ilegalidade. Não reclamou em nenhum momento do seu antecessor. Fez uma revolução na forma de administrar. Transformou o Acre.

É inimaginável pensar como seria o Acre se fossem tiradas 20% das obras que ele e os governadores que lhe sucederam fizeram.

Passados tantos anos, a disposição de um homem que já está na casa dos 60 anos de idade e que já enfrentou os 41,195 quilômetros de uma maratona se mostra inabalável.

“Não quero perder tempo nem com os meus adversários. Nunca fiz e não quero, jamais, fazer acertos de contas”, disse.

Legitimado pelo PT para fazer a condução do processo eleitoral, Viana deve lançar um novo movimento no dia 6 de agosto, data que deu início à Revolução Acreana, em 1902.

Isso é simbologia.

Jorge Viana foi o responsável por resgatar a autoestima de um povo que vivia de cabeça baixa e com vergonha de ser acreano. É tempo de reconstruir, de começar a escrever novas páginas na história.

“Acredito que, para virar a página, é preciso ter feito primeiro a leitura daquela página”, acrescentou.

Visitar o escritório por Jorge Viana é fazer um passeio pela história dele e do Acre.

Nas paredes estão os registros da sua trajetória, quando, ainda menino, concorreu ao governo aos tempos atuais.

São retratos de um tempo de esperança e realizações. Em cada canto há um encanto, uma história, uma experiência, algo especial.

Mesmo sem mandato, o ex-governador tornou uma referência nacional, participa de grupos que discutem os grande temas de desenvolvimento, sem perder a conexão com a realidade acreana.

“Tenho sempre um mapa mundi onde trabalho. Mas compreendo que, antes de compreender o mundo, é fundamental conhecer a minha aldeia”.

Jorge Viana conhece como pouco a sua aldeia. Junto com o seu irmão, o também ex-governador e ex-senador Tião Viana, é o politico que mais andou nas localidades mais distantes do Acre.

Agora, o maratonista Jorge Viana se prepara para a nova corrida.

Está mais experiente e consciente que, para as futuras batalhas, é preciso juntar o exército, conhecer o inimigo e o terreno onde a disputa será realizada.

Sai da reunião certo que o jogo começa a ser jogado com sabedoria. Ao sair, Jorge Viana me apresentou o local onde fica o ponto do café. É algo cheio de sentimento.

“Sempre tive os meus pais, Wildy e Silvia, como referências de vida. Aqui nesse cantinho está um lembrança da minha mãe. É a cômoda onde ele guardava as suas coisas. Trouxe para cá, dei um pintura. Minha mãe e o meu pai sempre estarão presentes na minha vida e nas vidas dos meus irmãos, filhos, sobrinhos e netos”.

Jorge Viana gosta de história, de fazer história.

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