Assassinos de reputação: Operação em Cruzeiro do Sul expõe falhas grosseiras e aponta valores fora da realidade

Empresa da irmã de jornalista preso recebeu apenas R$ 101,5 mil, o que está longe do R$ 1,8 milhão divulgado pela Polícia Federal

Sou daqueles que prefere que comentam injustiça comigo, que eu ser injusto com alguém.

Essa sede de justiça, por vezes, custa caro para mim.

Não sei ficar calado quando vejo alguém sendo injustiçado.

Quando fui secretário de Comunicação e porta-voz no governo Tião Viana (2011-2018) vivi por dentro uma malfadada operação da Polícia Federal denominada G7.

Desencadeada em maio de 2013, essa operação prendeu muita gente, empresários e agente públicos. Ganhou o que queria: os olhares da mídia nacional.

Atacar o PT dava e ainda continua dando Ibope para a mídia conservadora.

A G7 destruir vidas e reputações.

Pessoas morreram de desgosto. Uma delas passou mal ao emulado, vindo a óbito dias depois.

Outras nunca mais conseguiram retomar o prumo de uma vida normal.

Após tanto espetáculo, a Polícia Federal foi incapaz de apresentar provas condenatórias contra os acusados. Em muitos casos nem ofereceu denúncia.

Mas as reputações foram assassinadas cruelmente em nome de um show midiático.

Desde então, passei a acompanhar o desenrolar das espalhafatosas operações das policias.

O que vejo é muitos shows, e inquéritos mal feitos, que terminam sendo levados aos arquivos pela Justiça.

Tornou-se fácil assassinar reputações sem que acha punição para os assassinos.

Basta acusar e contar com as asas quase sempre benevolentes da imprensa para voar longe.

Esta semana, a Polícia Federal fez uma operação chamada Engalobados, em Cruzeiro do Sul.

Foi declarado que o prejuízo ao erário pode chegar a R$ 1,8 milhão.

No bojo, prenderam o jovem jornalista Paulo de Sá como sendo um dos principais responsáveis pelo suposto desvio.

Como disse lá em cima, não concordo com injustiça.

Há cerca de dois anos, Paulo de Sá era secretário de Comunicação da prefeitura de Cruzeiro do Sul.

Numa dessas operações, foi preso pela Polícia Federal. Teve o seu nome exposto. Até hoje, não ofereceram denúncia contra o empresário nesse caso.

Como gosto de tirar as coisas a limpo, resolvi mergulhar um pouco mais na nova operação.

Pelo o que vi, a população foi englobada pelo discurso oficial.

Pela segunda vez, assassinaram a reputação do jovem Paulo de Sá.

Segundo uma fonte minha, Sá fora denunciado por um licitante, que o acusou de tentar comprar equipamentos laboratoriais.

Ele, ainda em razão dos fatos ocorridos há quase dois anos, está impedido de transacionar com o poder público.

Ora, se a história é essa, qual o crime de uma pessoa física querer comprar equipamentos de outras pessoa física ou jurídica?

No release enviado à imprensa, a polícia argumenta que uma empresa cuja principal atividade é comunicação, também aluga equipamentos científicos, médicos e hospitalares. Isso é verdade. Está registrado na Junta Comercial e não é crime.

Vamos aos valores.

A Polícia Federal diz que o prejuízo ao erário pode ser de R$ 1,8 milhões.

Pode haver equivoco na história.

Paulo de Sá, é bom que se diga, não é sócio de nenhuma das empresas envolvidas.

A empresa mencionada pela polícia é a Midia L. de Sá, cujo nome fantasia é Yurua Serviços, criada em agosto de 2019.

Essa empresa, de fato, pertence à irmã de Paulo de Sá, o que também não é crime. Já pensou se a Polícia Federal for prender todos aqueles que têm empresas e o sobrenome Cameli, do governador Gladson?

Faltaria cela.

Retornando aos valores.

Em março deste ano, quando as investigações foram iniciadas, a empresa Mídia L. de Sá foi contratada, em caráter emergencial, para para fazer a locação de equipamentos laboratoriais analisadores de testes de bioquímica hematologia, num período de três meses.

Recebeu três pagamentos por isso, nos meses de março, julho e setembro.

A soma dos pagamentos está longe de ser R$ 1,8 milhão.

O montante recebido é de R$ 101,5 mil, como pode ser visto abaixo:

Em setembro deste ano, a empresa assinou um contrato com a prefeitura no valor global de R$ 14 mil.

Pelo o que se vê, tem algo muito errado na história.

Sou terrivelmente contrário à corrupção na mesma proporção que repudio injustiça.

Sempre penso que cada um de nós pode ser a próxima vítima.

Posso, um dia, ser tachado de muitas coisas, menos de assassinar reputações de inocentes.

Digo isso porque até hoje convivo com pessoas que vivem assustadas até quando ouvem a sirene do Samu.

São pessoas inocentes, vitimas de um verdadeiro esquadrão da morte moral, que nunca mais terão a tranquilidade e reputação de volta, pois foram execradas e assassinadas publicamente sem direito, sequer, a um pedido público de desculpa.

Não me calo.

Que venham as consequências…

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