Ao se filiar ao PSDB, ex-reitor Minoru Kinpara se alia aos partidos que trabalham contra a universidade pública

Naturalmente, o PSDB prepara uma grande festa para acolher o ex-reitor da Universidade Federal do Acre Minoru Kinpara. Tanta festa faz parte do jogo político.

Os tucanos mandaram espalhar o nome do professor em outdoor.

Inegavelmente, Kinpara é um quadro sem nódoa na trajetória política e administrativa. É uma pessoa honesta.

Com seu ingresso, os tucanos, que tinham Aécio Neves, como grande timoneiro, vestem uma roupagem de partido sério.

Kinpara também teve um bom desempenho nas eleições do ano passado, quando concorreu ao Senado pela Rede Sustentabilidade.

Obteve mais de 100 mil votos, sem contar com estrutura partidária ou financeira.

Mas será que esses votos eram pelos seus predicados ou por eleitores que não enxergaram alternativas melhores nos demais concorrentes? Votos dos desencantados com os partidos e políticos tradicionais?

Isso a história e os próximos pleitos irão dizer.

O que vale aqui é falar sobre contradição.

Minoru Kinpara iniciou na política no Partido dos Trabalhadores (PT).

Chegou a ser dirigente da legenda e a concorrer, sem sucesso, a cargo eletivo.

Chegou à Reitoria contando com o apoio expressivo dos companheiros petistas dentro e fora da instituição. Também soube aproveitar muito bem o poder político para conseguir as coisas.

Há, inclusive, uma história para garantir o seu segundo mandato. Ele chegou ao gabinete do deputado Sibá Machado, que lhe perguntou o que seria fundamental para a reeleição. O reitor disse que precisaria de R$ 7 milhões.

Após um telefonema do parlamentar ao ministro da Educação, Kinpara retornou ao Acre com os recursos garantindos. Foi reeleito. Sibá Machado foi praticamente humilhado na posse.

Não há uma placa de obra na Ufac na sua gestão que não conte com o nome do presidente da República eleito pelo PT.

Mas as coisas mudam.

O PT entrou em desgraça nacional por conta do verdadeiro massacre midiático a que foi submetido. Também teve alguns de seus membros envolvidos em casos de corrupção. A sua presidenta foi brutalmente golpeada e perdeu o mandato legitimo.

Para quem tinha ambição politica, a legenda deixou de ser atrativa, de ser grife. Ficou sem charme.

Como muitos, Minoru Kinpara se desencantou com o PT. Apostou na ideia nova da Rede Sustentabilidade, partido criado pela ex-senadora acreana Marina Silva.

Trocar o PT pela Rede tinha sustentabilidade. Afinal, o partido de Marina surgiu com ideias novas, pregando uma maneira diferente de fazer política, longe dos escândalos e dos escandalosos.

Na Rede, ele foi bem votado quando disputou o Senado. A votação embalou novas pretensões e externou ambições. Saber se ampliará ou manterá os votos é outra conversa.

Agora, noutro ninho, ficará difícil para o professor explicar a opção pelo PSDB. Os tucanos estão envolvidos até a ponta do bico em vários escândalos no país. Qual a diferença do seu novo partido para o PT que tanto criticou?

A diferença é que o nunca na história do Brasil um partido investiu tanto na Educação como o PT.

As universidades públicas dificilmente terão o mesmo olhar que os presidentes petistas tiveram.

Já o PSDB todos sabem que sempre trabalhou contra o ensino público gratuito.

Durante os oito anos de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República, as universidades foram sucateadas. Isso a história é recente e fácil de ser contada.

Minoru Kinpara, na sua página no Facebook, diz que irá para o PSDB porque terá mais chances eleitorais. É claramente pré-candidato à prefeitura de Rio Branco. Mas não irá com a beca de político novo, com ideias novas. Essa roupa não lhe cabe.

A partir de sábado, quando assinar a ficha de filiação no partido de José Serra, João Dória, Aécio Neves, Marconi Perillo e tantos outros, estará selando aliança com o atraso.

Passará a sentar à mesa com partidos do quilate do MDB, PP e até o PSL, legenda que abriga o fascista Jair Bolsonaro.

E todos sabem o que Bolsonaro está fazendo com as universidades pública, habitat acadêmico e político de Minoru Kinpara.

Bem-vindo à selva, novo tucano Minoru Kinpara!

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