Alto Acre faz um novo empate contra o conservadorismo; será que o governador vai contratar novos PMs?

No início da década de 1970, o então governador Francisco Wanderley Dantas queria abrir as portas do Acre para o desenvolvimento.

O slogan dele era: Acre, ano dez – um estado em ação.

Para isso, Dantinhas foi ao centro-sul do país vender as maravilhas desse torrão amazônico.

Dizem os historiadores – eu ainda era criança – que o governador teria dito que o Acre seria um Nordeste sem seca e um Sul sem geada.

O fato é que muitos aventureiros acreditaram e vieram se instalar aqui.

Grandes fazendeiros hoje chegaram aqui arrastando a cachorrinha.

Outros comeram a cachorra no caminho.

Essa turma pegou dinheiro fácil e barato para investir na plantação de seringueiras.


Fizeram tudo o contrário.

De motosserra na mão e contando com a omissão do Estado, desmataram grandes áreas de terra, plantaram boi, ficaram milionários e nunca pagaram o que pegaram emprestado.

É inequívoco ques a politica de Dantinhas trouxe as sementes das mazelas sociais que hoje vivemos.

Pressionados pelos “paulistas”, como eram chamados os que vieram, os seringueiros foram expulsos da suas colocações e vieram formar os bolsões de miséria nas periferias das cidades.

Nem todos vieram pacificamente.

Muitos foram os conflitos agrários.

Diversas foram as vidas ceifadas pelas balas dos jagunços.

Houve quem resistisse.

E a resistência se instalou principalmente na região do Alto Acre.

Foi de lá que vieram lideranças como Wilson Pinheiro e Chico Mendes.

Eles inovaram na forma de combater e, sem armas na mão fizeram empates contra a destruição da floresta.

Como tantos, Wilson Pinheiro e Chico Mendes foram assassinados.

Mas a semente das suas lutas deram frutos.

Uma geração de jovens políticos se inspirou nos seus ideias, ganhou o governo e administrou o Acre durante vinte anos.

Essa geração fez mudanças profundas no Estado, mas foi derrotada pela onda conservadora que tomou conta do Brasil nas eleições de 2018.

Nas eleições deste ano, a varredura iniciada há dois anos foi praticamente concluída.

Os partidos progressistas sofreram derrotas avassaladoras, não elegendo nenhum vereador na capital do Estado, por exemplo.

Mas sempre é possível recomeçar.

A resistência que começou com Chico Mendes, Wilson Pinheiro e tantos outros permanece viva na mesma região dessas lideranças.

No Alto Acre, o PT manteve as duas prefeituras que tinha, Xapuri e Brasileia, e conquistou Assis Brasil.

Os prefeitos Fernanda Hassem e Bira Vasconcelos montaram trincheiras a partir de administrações focadas na boa gestão dos recursos públicos.

Foram aprovados com louvor nas urnas.

A novidade vem de Assis Brasil, com o jovem professor Jerry Correia.

Quem sabe, a partir desses municípios, não tenha nascido um novo empate em favor da boa politica e contra o conservadorismo.

Quem sabe?

Afinal, embora não tenha feito nada, o atual governador só fala em abrir o Acre para o desenvolvimento.

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Nunca escondi de ninguém que tenho lado.

Mas não sou de fechar os olhos para as evidências.

Se no Alto Acre foi feito um novo empate, no restante do Estado é preciso fazer uma reflexão profunda.

É fundamental reconhecer erros para que a população volte a enxergar os acertos.

É tempo de calçar a sandálias da humildades e encontrar uma nova forma da caminhar.

A esquerda, principalmente o PT, ainda tem lideranças como Jorge Viana e Marcus Alexandre.

Tem um legado que nenhuma outra força politica tem.

Em Rio Branco eu discordo de quem diz que o desempenho de Daniel Zen foi fraco eleitoralmente.

Ele foi gigante.

Até os seus adversários e pessoas que não votaram nele reconhecem as suas qualidades.

Mas Zen não poderia ter desempenho melhor do que teve.

O importante é que foi projetada uma nova liderança.

E formar líderes não é para qualquer partido.

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Gladson Cameli é pego na mentira porque quer.

Ele foi à turma do cadastro de reserva da Polícia Militar e disse que irá fazer a convocação a partir de fevereiro do próximo ano.

Veja o vídeo onde nitidamente falta-lhe a sobriedade de um líder

Nada contra as contratações.

Muito pelo contrário.

O problema é saber de onde virá o dinheiro.

E tem mais: para contratar ele terá que demitir gente.

O Acre está com cinquenta e cinco por cento da sua receita corrente líquida comprometida.

Está muito acima do que está previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal no tocante a gastos com pessoal.

Como esse homem, se realmente quiser cumprir a palavra, fará?

Eis a questão.

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