A nebulosa história de quatro terrenos, no valor total de R$ 1 milhão, comprado por um governante caloteiro


O enredo parece de filme de gangster.

Foi mais ou menos assim: o governante chegou para o proprietário de uma grande imobiliária local e, com a arrogância e boçalidade que lhe é peculiar, vociferou:

– Você terá o privilégio de me ter morando no seu condomínio.

Localizado em pontos estratégico, o condomínio é um dos mais chiques de Rio Branco. Mais caros também.

Nele residem pessoas de alto poder aquisitivo.

Um pobre tem vergonha passar na frente.

Os que entram são empregados da construção civil, zeladores do condomínio e domésticos.

Voltando à história.

Frente a frente com o governante, o comerciante, obviamente, gostou da opção feita pelo mandatário.

Gostou mais ainda quando o moço revelou a quantidade de terrenos que necessitaria para a sua humilde residência.

_ Quero quatro terrenos, disse o rapaz que governa o reino.

Cada terreno custa, em média R$ 250 mil.

O valor total de R$ 1 milhão é equivalente aos rendimentos de quatro anos de um mandato ocupado pelo adquirente.

O negócio foi fechado.

Foi dada a entrada e paga três parcelas.

A partir do quarto mês, vieram os atrasos.

Os vendedores não lembraram da fama de caloteiro que o comprador carrega.

Depois de meses de inadimplência, os vendedores procuraram o comprador para saber o que tinha acontecido.

O governante- comprador encarregou o seu chefe de Casa Civil para tratar do assunto.

Com carta branca, o assessor revelou: – É o seguinte, o meu chefe não tem como honrar com o compromisso assumido, vamos renegociar a história.

Diante o olhar estupefato da turma, o homem da Casa Civil completou: – Iremos devolver um terreno e entregaremos o carro da esposa do meu chefe como parte do pagamento.

Meio a contragosto, o negócio foi fechado.

O carro é um possante Jaguar F-Pace, cujo valor gira em torno de R$ 300 mil.

O emissário do despreparado governante é advogado, mas vai cuidar de contas em um tribunal nos próximos 25 anos, com robusto salário e regalias que o cargo permite.

Os detalhes da renegociação ficaram restritas aos participantes.
Mas no Acre não há segredo. É um estado sem muro para a fofoca.

Mas é certo que os proprietários da imobiliária estão isentos de qualquer culpa. O negócio deles é vender terreno. Na verdade, foram, de certa forma, vitimas.

O azar é que se depararam com um caloteiro, que também está com casa em obra noutro condomínio nobre. Os serviços, executados por engenheiro do Deracre, andam a passos e jabuti.

O passo seguinte é acompanhar para saber qual empreiteira será convidada para erguer a mansão do governante.

Iniciei falando que poderia ser enredo de um filme.

Não é.

O fato aconteceu no Acre.

A fonte pediu para não falar os nomes dos envolvidos, mas os entendedores entenderão.

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