A não-política pública de Bolsonaro e Gladson

A não-política pública de Bolsonaro e Gladson


Por Ermício Sena*


Uma vez ouvi do professor mexicano Luis Fernando Aguilar Villanueva, que “uma não-política pública também é uma política pública”.

O catedrático respondia à uma pergunta que lhe fiz sobre como aplicar todas as fases da análise de políticas públicas quando uma gestão não desenvolve um programa que dialogue com o que o cientista político Harold Laswell alertou, na década de 1930, no seu livro intitulado “Politica: Quem ganha o quê, por quê e que diferença faz”. Essas são questões que importam para entender esses governos.

Admitindo que uma política pública é formada de fases que vão da elaboração, implementação, avaliação e revisão, chegamos a conclusão que, no atual governo, nada disso existe.

Não existe por que não se viu, até agora, a transformação de uma plataforma eleitoral vitoriosa de 2018 (Jair Bolsonaro e Gladson Cameli) em um programa com ações articuladas em busca de um resultado. Quando não se tem uma política responsiva, ganha quem tem mais poder, porque a não-política pública favorece o não controle.

No mundo político midiatizado, uma política pública também é constituída pela entrada na “agenda pública” que possa ser reconhecida pelo cidadão-eleitor como algo constituído de valor.
E qual o valor que esses governantes esperam que seja reconhecido pelo grande público? O personalismo e a incompetência de ambos dão o tom da batida.

No caso de Bolsonaro, suas frases de efeito e a agressão a tudo que não o agrada são a fonte para alimentar o tal “gabinete do ódio” e assim disparar “fakes news” através de robôs, para, assim, continuar fidelizando seus seguidores. No que tange às políticas públicas, o único programa que veio à tona nesse governo tonto foi o tal programa “Pro-Brasil”, que é um PAC piorado, só que feito nos moldes do Regime militar, sem a participação nem do ministro da Fazenda, imagine de algum segmento da sociedade, para quem, em tese, seria destinada tal política.

Gladson Cameli é menos dado ao ódio, mas também adora os holofotes pra posar de Hobbin Hood, só que às avessas, publicando que libera avião particular pra fazer transporte público, mas alugou um ao preço exorbitante e comprou, em plena pandemia do coronavírus, SUVs para seu Gabinete ao valor robusto de R$ 514 mil.

Até o momento, não se viu nenhum programa que possa ter a tal “visão de futuro” da marca de seu governo. Mas, setorialmente, alguns desastres já se podem notar. Um deles é a tentativa de terceirizar a saúde do Estado.

Num momento em que o país mais precisa de um sistema público como o SUS, buscar privatizar a saúde, além de falta de visão estratégica, é flertar com o comércio de algo literalmente vital para o povo.
O que estamos vendo não foi por falta de aviso. O rapaz à frente do governo estadual sempre foi afeito ao lado empresarial. O que alguns consideravam uma virtude, está se mostrando um tremendo defeito.

Finalizo dizendo que os governos de Bolsonaro e Gladson se equivalem quando se trata de políticas públicas. Ambos não tem a tradição de planejar e muito menos de cotejar o que está sendo realizado. Isso é uma pena, pois poderíamos ter um governo local que fosse minimamente competente para evitar o desastre que se avizinha com a irresponsabilidade nacional.

Ermício Sena é doutor em Ciência Política e professor da UFAC.

Leonildo Rosas

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