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4 Estados ultrapassaram o limite de gastos com funcionalismo

Acre, Minas, Rio Grande do Norte e Roraima superaram os 49% da receita corrente líquida, indica relatório do Tesouro Nacional

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Segundo o Tesouro Nacional, 4 Estados superaram o limite de gastos com o funcionalismo do poder Executivo local. Os dados são do RGF (Relatório de Gestão Fiscal em Foco) dos Estados e do Distrito Federal, publicado na 2ª feira (23.out.2023). A desoneração de combustíveis em 2022 e a queda da inflação, que impactam em menor arrecadação, são responsáveis por pressionar a situação fiscal dos Estados.

A LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) estabelece que os Estados e os municípios não podem gastar mais de 49% da RCL (receita corrente líquida) com pessoal no poder Executivo. No 2º quadrimestre (de maio a agosto), Rio Grande do Norte (57,76%), Roraima (51,61%), Acre (49,92%) e Minas Gerais (49,62%) estouraram o limite.

Dois estados superaram o teto para o funcionalismo do Poder Legislativo local, fixado em 3% da RCL. O limite foi excedido em Alagoas (3,71%) e Roraima (3,41%). Com 2,04% da RCL, o Maranhão estourou o limite para o Ministério Público, estabelecido em 2%.

Desde a redução do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) em 2023, vários estados passaram a perder receita. Além disso, a inflação mais baixa impacta as finanças locais porque o ICMS, imposto que mais arrecada no país, é de exclusividade dos estados e está atrelado aos preços.

SANÇÕES

Pela LRF, enquanto o ente público (União, Estado ou município) estourar o limite de gasto com pessoal, está sujeito a algumas proibições. Ele não pode receber transferências voluntárias, exceto os repasses relacionados à Seguridade Social (Assistência Social, Saúde e Previdência Social); obter garantia do Tesouro Nacional ou de outro ente público para empréstimos; nem contratar operações de crédito, exceto para refinanciar a dívida em títulos ou para reduzir gastos com pessoal, como um plano de demissão voluntária.

A situação dos Estados deverá ser amenizada no fim do ano, quando a União começar a pagar a compensação de R$ 27 bilhões pela perda de receita provocada pela redução do ICMS dos combustíveis de julho a dezembro de 2022. O Senado aprovou o projeto no início de outubro, e o texto aguarda sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao elevar a receita dos Estados, os repasses aliviam a proporção dos gastos com o funcionalismo e a RCL. O projeto aprovado também prevê transferências ao FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e ao FPE (Fundo de Participação dos Estados) para recuperar perdas de 2023 em relação a 2022.

ENDIVIDAMENTO

O relatório também divulgou a proporção de endividamento dos Estados. A LRF estabelece DCL (Dívida Consolidada Líquida) de até 200% da receita corrente líquida, mas nenhum Estado estourou esse teto. As maiores dívidas estão registradas no Rio Grande do Sul (189%), Rio de Janeiro (155%), Minas Gerais (165%) e São Paulo (116%).

No 2º quadrimestre, apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Rondônia registraram crescimento. Nos demais Estados e no Distrito Federal, a proporção ficou estável ou diminuiu.

O Relatório de Gestão Fiscal em Foco é elaborado com base nos relatórios publicados pelos próprios entes públicos no Siconfi (Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro), gerido pelo Tesouro Nacional. Esses relatórios locais são enviados pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e também pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública.

Com informações da Agência Brasil.

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