TV Espinhosa: Hildebrando denunciou, STF condenou, mas Aleac quer isentar magistrados de devolver dinheiro recebido de forma irregular

Olá, meu amigo!
Tudo bem, minha amiga?

Num ano de muitas dificuldades, de perdas e de pandemia, podemos nos sentir felizes por termos chegado a mais um Natal.

Muitos dos nossos amigos e parentes não tiveram esse privilégio porque foram levados por uma pandemia que mudou o mundo.

Por chegarmos aqui, celebremos a vida.

Mas não quero apenas falar de festejos natalinos.

Nesse período, há quem aproveite o trenó do Papai Noel para empurrar trens da alegria.

Vou explicar algo sério.

Muitos amigos costumam me perguntar por que permaneço numa espécie de cruzada solitária, denunciando omissões, negligências, privilégios e corrupções.

A pergunta quase sempre é a mesma:

  • Se tu não tens apoio nem patrocínio, por que ficas se estressando, pegando processos e condenações pelos outros?

A minha resposta é padrão:

  • Não faço por ninguém. Faço por mim, pela minha convicções pessoais e de vida.

Confesso que pensei, diversas vezes, em parar, mas não consigo.

São essa convicções pessoais e de vida que me levam a abordar um tema delicado, que certamente me trará mais problemas e dores de cabeça.

Falo sobre o vergonhoso projeto aprovado pela Assembleia Legislativa, que isenta os magistrado acreanos de devolverem valores recebidos de forma irregular desde mil, novecentos e noventa e seis.

Esse projeto contou com os votos da base aliada e da oposição.

Não tem jeito, todos temem o poder do Judiciário.

A denúncia foi formalizada, na época, pelo então deputado estadual Hildebrando Pascoal, aquele da motosserra.

Pascoal, inclusive, chegou a declarar que fora perseguido pelo Judiciário acreano por fazer essa denúncia.

Segundo a denúncia, os magistrados passaram a receber gratificação de quarenta por cento por uma coisa que é inerente ao cargo: ter nível superior.

No Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes escreveu:

  • As gratificações de nível universitário, não são apenas ilegais, como descaradamente inconstitucionais.

Quem sou eu para ir contra a decisão de um ministro do STF?

Mesmo com a decisão da Suprema Corte, tentaram dar um jeitinho doméstico para os doutores não terem que devolver o dinheiro recebido ilegalmente.

O que é lamentável.

Não há nada ruim que não possa ficar pior.

Quando confrontado com a pergunta se irá ou não sancionar a lei, o governador Gladson Cameli tirou o corpo de lado e declarou:

  • Foi um pedido do Djalma, iremos analisar juridicamente.

O Djalma que ele fala é o desembargador Francisco Djalma, presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Acre.

Há sinais claros de um conluio entre os três poderes.

O Judiciário apresentou o projeto, o Legislativo aprovou e o Executivo deve sancionar.

Caberá ao Ministério Público questionar esse privilégio institucionalizado.

A aprovação em forma de anistia acontece no momento em os tribunais superiores perdem, sem o menor pudor, o privilégio de os seus membros serem vacinados contra a Covid-19 antes do simples mortais.

Ainda bem que o Fio Cruz negou, mas fica a mancha de uma casta que se acha acima de tudo e de todos.

Quando me deparo com essas situação, fico a pensar na minha vida.

Sou um homem simples, pai de família, funcionário público concursado, mas com vários processos em curso no Judiciário acreano.

Todos movidos por eu ter feito denúncias.

Recentemente, um juiz me condenou a cumprir cinco meses de trabalho comunitário, acrescido de uma multa de quase mil reais.

A pedido do governador, as minhas contas bancárias vivem bloqueadas.

Gladson Cameli que receber cerca de trinta mil reais, em razão de uma condenação por eu ter dito que ele agrediu ao ex-governador Tião Viana e que teria problema com bebida alcoólica.

Tião Viana confirmou a agressão, a imprensa nacional noticiou Gladson sendo flagrado pelo Álcool Zero, mas fui condenado.

Essa condenação tem dado dores de cabeça, mas não reclamo. Faz parte do oficio.

O pouco dinheiro que tinha na conta foi bloqueado, o juiz determinou o depósito judicial.

Gladson já pediu a penhora do apartamento financiado onde moro.

O apartamento tem cerca de cinquenta e dois metros quadrados, não dá para servir de garagem para a sua coleção de miniaturas de avião.

Há cerca de um mês tento fazer um empréstimo bancário, com anuência do banco e do meu órgão de trabalho para sanar dívidas, mas o bloqueio está impedindo.

Os credores continuarão sem receber.

Ao contrário dos magistrados que foram isentando de devolver milhares de reais aferidos de forma irregular, sou um simples mortal que insiste em brigar com quem tem poder.

Esta semana, o premiado jornalista Luiz Nassif escreveu um belo texto onde dizia estar juridicamente marcado para morrer.

Ele relata a série de processos e condenações arbitrárias por denunciar ilegalidade cometidas por agentes públicos.

Estou bem longe de ter o gabarito de Nassif, mas posso dizer que caminho no mesmo cadafalso.

Tenho certeza de que a situação vai piorar a partir de agora, pois não posso concordar e me calar diante de uma vergonha dessas.

De um privilégio absurdo por quem tem o dever moral de cumprir a lei e a determinação judicial.

Por quem deve dar o exemplo, porque são pessoas que julgam mortais iguais a mim.

Hildebrando Pascoal, o autor da denúncia de recebimento irregular de gratificação por magistrados, foi julgado e condenado por mandar matar desafetos com motosserra.

Estão querendo serrar a legalidade com instrumentos de aparente legalidade.

Não dá para ficar calado diante disso.

Quem venham novos processos e condenações.

Pecar pelo silêncio covarde é o que não farei.

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Fui
Forte abraço.
Feliz Natal.

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