Sem recurso da fonte 100, governo deixa de pagar fornecedores e prestadores de serviço da Saúde

O governo até tenta fazer uma bandagem nas feridas profundas da Saúde pública, por meio de matérias publicadas em veículos de comunicação oficial e oficiosos, mas fica difícil brigar com a realidade vivida nas unidades hospitalares e de pronto-atendimento sob a responsabilidade do Estado.

A situação só piora a cada dia.

Os ferimentos deixam o sistema em coma e não se vê medidas efetivas para solucionar um setor crucial para a população.

Reconduzido a cargo de secretário de Saúde, após a desastrosa passagem de Mônica Kanann e os seus coroneis, o odontólogo Alysson Bestene não conseguiu encontrar o canal para estancar a sangria. 

Mas falar mal de Bestene parece ser o caminho mais simples, sem focar no que importa. É como combater o efeito da doença, sem descobrir a causa.

Nesse caso, o secretário é o menos importante. Gestor nenhum consegue fazer as coisas sem que haja prioridade da sua pasta pelo governador do Estado.

Quem o conhece sabe que Alysson Bestene é bom caráter, honesto e dedicado. Só que esses atributos são poucos para tocar um sistema doente e viciado.

Infelizmente, o governador Gladson Cameli, pelo o que demonstrou até agora, está longe de ter elegido a Saúde como uma das prioridades de seu governo.

Na verdade, a população até hoje tenta saber o que realmente é prioritário para uma administração que patina na sua incompetência e na incapacidade de dar as respostas necessárias.

A Saúde, como outros setores essenciais, está mal, muito mal, e tende a piorar porque faltam investimentos.

Por mais boa vontade que tenha, Alysson Bestene pouco poderá fazer por vários fatores.

Um deles é que nem a própria equipe ele montou. Mas o principal é que não há dinheiro para o custeio. A Saúde sobrevive com dinheiro de convênio porque o Estado não aporta recurso próprio, da fonte 100.

A fonte secou.

Os efeitos dessa secura são inevitáveis. Falta o básico nas unidades. Mas pode piorar. Fornecedores e prestadores de serviço, como o Hospital Santa Juliana e outros, estão há meses sem receber. 

Se esses prestadores de serviços resolverem paralisar as atividades por absoluta falta de condições de continuarem atendendo, viveremos tempos de maior agonia de quem necessita de exames, cirurgias cardíacas e outros serviços essenciais para a manutenção da vida.

Recentemente, segundo fonte palaciana, o governador Gladson Cameli precisou fazer alguns exames.

Está acima do peso, embora já tenha feito cirurgia bariátrica, e com as taxas elevadas. Não fez os procedimentos em território acreano. Se tivesse optado por fazer no Acre, talvez comprovasse o estado caótico em que as coisas se encontram.

É fato que Cameli não prioriza a Saúde. Basta verificar que são ínfimos os repasses para pagamento de fornecedores de medicamentos e prestadores de serviços essenciais. 

Mês após mês, a Saúde caminha igual ao Acrepevidência, que acumula déficit mensal grande. Uma hora a coisa estoura e pode ceifar vidas. 

Apenas a titulo de ilustração, o governo passado chegou a investir 18% do orçamento anual no setor, mesmo assim os problemas eram constantes. 

Ano passado, o governo Cameli chegou mal as 12% previstos na Constituição.

Fato é que, se não houver prioridade, é provável que nem o secretário aguente tanto descaso. Mas o pior são as vidas que podem ser perdidas por omissão.

O orçamento da fonte 100 está previsto para abrir dia 31. É bom o governador pagar a quem ajuda a salvar vidas, em vez de gastar tanto com fretamento de avião, passagens e diárias.

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