Rock autoral acreano: histórias e festivais 

O dia 13 de julho é reconhecido no Brasil como o Dia Mundial do Rock. 

A data celebra anualmente o rock e foi escolhida em homenagem ao Live Aid, megaevento que aconteceu nesse dia em 1985. O evento contava grandes artistas do gênero, como Queen, Mick Jagger, Keith Richards, Ronnie Wood, Elton John, Paul McCartney, David Bowie, U2 entre outros.

Quando falamos rock autoral acreano, uma das primeiras bandas que surgiu com esse ideal de gravar suas próprias canções foi o Grupo Capu. A banda é do final da década de 70 e início de 80, com os irmãos Clenilson e Clevisson Batista. “Somos da via látex”, como dizia o primeiro verso da canção Seringal Astral. 

Nos anos 80, período marcado pela consolidação de um dos maiores festivais de rock do mundo, o Rock in Rio, o de 1988 foi inesquecível com a promulgação da Constituição a o assassinato do seringueiro Chico Mendes. A praça da Revolução, no centro de Rio Branco era ponto de encontro dos jovens Jorge Anzol, Rezende Gouvea e Carlos Eduardo 

Dessa conversa sobre música, com a troca de informações sobre os LP’s de rock, surgiu a banda Câmbio Negro e posteriormente a criação do Festival RB Rock, o primeiro festival de rock do estado, com contribuições culturais que passaram até para as gerações de hoje.

Na década de 90 não existiu uma cena, no sentido de eventos para música autoral. No início dos anos 2000, volta o pensamento de externalizar a voz do rock acreano. 

O movimento de música autoral ficou tão forte a partir de 2002, que representantes das bandas decidiram criar um Selo Catraia. O selo tinha uma proposta simples: gravar e distribuir pelo Brasil as bandas autorais que faziam parte do catálogo, entre elas, Camundogs e Los Porongas.

Seguindo uma onda nacional o Acre tornou-se parte do Circuito Fora do Eixo, com o surgimento de bandas locais como Filomedusa, Mapinguari Blues, Nicles Afasia/Marlton, Calango Smith, Blush Azul, Dead Flowers, Matéria Fecal, Capuccino Jack entre outros.   

Festival Varadouro/Fora do Eixo

Festival Varadouro, criado em 2005, a partir de um intercâmbio entre Acre e Rondônia, o evento aos poucos assumiu a posição de maior festival de música independente da Amazônia. Por aqui passaram bandas com BNegão e os Seletores de Frequência, Macaco Bong, Porcas Borboletas, Curumin, Cordel do Fogo Encantado, Guizado, Móveis Coloniais de Acaju, Madame, Saatan, Trilobit, Superguidis, Pública entre tantas outras bandas da Bolívia, Peru e Argentina que demonstraram a diversidade da nova música autoral latina.

 

Cena independente

“Comecei a tocar em 2002, então em 2003 eu já tinha uma banda cover do CPM 22 (risos) eu tocava baixo com 12 anos de idade, eu me lembro que nessa época sempre tinha eventos na concha acústica, mas na maioria eram covers, com a Camundogs e os Los Porongas a música autoral foi ganhando mais espaço”, comenta Diego Torres, o Dito, vocalista da banda Os Descordantes. 

Diogo Soares é vocalista na banda Los Porongas. “Essa foi uma época de grande efervescência cultural no Acre, era momento certo com as pessoas certas se encontraram. Diante do tédio e do marasmo nós criamos isso, o movimento, a cena independente de música autoral”.

Soares comenta que o grande tesão dos jovens dessa época, era ter uma banda e tocar pelo festivais no Brasil e fora daqui. “ Eram muitos festivais rolando pelo Brasil, e com o Varadouro nós passamos e nos conectar com eles e forma esse circuito fora do eixo Rio-São Paulo. ”.   

Já em 2007, Dito lembra que tinha uma banda autoral, a Marlton, e  comenta a importância do Festival Varadouro. “Com a Marlton tocamos no Varadouro de 2007 e 2008 e era muito divertido, porque éramos muitos jovens e já dividimos palco com artistas com a rodagem bem maior, a estrutura era muito boa também e pessoas compareciam para ouvir e conhecer bandas novas”.       

A última edição do Varadouro foi realizada em 2010. “Neste ano, nós começamos a ensaiar com a banda Os Descordantes, me lembro que comentavámos que queríamos tocar em 2011, mas o festival não foi mais realizado”, finaliza Dito.   

Festival Samaúma

No próximo dia 06 de agosto vai rolar aqui na capital o Festival Samaúma, no Santinni Food Park, e reunirá as bandas Los Porongas, Os Descordantes, Filomedusa, Trilobitas, além da participação do cantor e compositor cearense Daniel Groove. Também terá uma seleção de mais uma banda/artista local para abrir o festival.

Hugo Costa

Deixe uma resposta

Next Post

Jorge Vianna passa a noite na rodoviária disfarçado de morador de rua

sáb jul 13 , 2019
Por Alexandre de Paula Vestido com roupas sujas e desgastadas, o deputado distrital Jorge Vianna […]
%d blogueiros gostam disto: