Resultado das eleições deste ano pode trazer digital de sangue do crime organizado na urna eletrônica

Que o tempo não para todos sabemos. Mas o grande poeta Cazuza fixou ainda mais essa certeza em uma bela canção, onde dizia que a piscina estava cheia de rato e as ideias não correspondia aos fatos.

É fato que as ideias dos atores que trabalham para garantir a legalidade ou para auferir um mandato eletivo não correspondem aos fatos do que realmente acontece nas cidades acreanas, com destaque para Rio Branco, capital do Acre com quase a metade da população.

As eleições municipais deste ano serão diferentes, pois tem um componente letal extra: a força do crime organizado nos bairros, ditando regras, determinando quem entra e quem sai. Quem vive e quem morre.

É tolice desconsiderar esse componente.

Hoje, é real a influência que essas organizações têm. Há um medo imperando nas pessoas trabalhadoras, haja vista que o Estado é incapaz de garantir a segurança de uma população que vê, a cada dia, os seu direito mínimo de ir e vir ser ultrajado.

Há muito tempo o Estado do Acre perdeu o monopólio da força. Mas a derrota ficou mais evidente nos últimos meses por causa da falta de uma inteligência policial eficaz, pela inexistência da integração da polícias, pela politização de um segmento estritamente técnico.

Essa força é exercida pelas organizações que recrutam jovem dispostos a matar ou morrer em nome das lideranças que impõem duras regras de condutas aos seus liderados.

Como se vivêssemos tempos de normalidade, a Justiça Eleitoral não sinaliza com medidas práticas para evitar que as eleições democráticas sejam contaminadas pelas gotas de sangue que jorram diariamente nos bairros, ruas e esquinas das nossas cidades.

A democracia duramente conquistada corre risco, não apenas por causa dos discursos autoritários, do cerceamento das liberdades individuais, da perda de direitos conquistados à custa do sofrimento e do engajamentos nas lutas por dias melhores.

A democracia também corre o risco pela força paralela do crime organizado. Que se organiza para eleger aqueles que fecham os olhos contra os seus desmandos.

Chega a ser inacreditável que faltando oito meses para a eleição, um tema como esse não venha sendo debatido com mais ênfase na sociedade. Que os órgãos responsáveis insistam em fingir que há uma força visível e preocupante capaz de mudar o curso de um processo eleitoral.

Nascidas em São Paulo e Rio Janeiro, as duas maiores organizações criminosas do Brasil disputam território nas regiões fronteiriças do país.

O Acre tem quase dois mil quilômetros de fronteira abertas. É pressionado por dois grandes produtores de cocaína. Por isso, é localização estratégica.

Por mais de que secretário de Segurança Pública, Paulo Cézar Rocha, tenha bravateado, dizendo que daria respostas em 10 dias, a situação é mais complexa do que se imagina.

Sem o apoio e a presença forte do governo federal, pouco poderá ser feito. Essa é a triste realidade acreana.

Atualmente, a imprensa vem noticiando a situação com ênfase, os cidadãos precisam baixar os vidros para adentrarem nas localidades de Rio Branco.

Pichações em muros e prédios deixam a ordem expressa e sinalizam qual a facção que manda no pedaço.

Os candidatos sabem dessa realidade, mas preferem ignorar. Outros, por sua vez, optam por negociar com os lideres, a fim de conquistar os votos com o aval do crime.

Postulantes a cargos de prefeito terão dificuldades para entrar nos bairros e pedir votos, isso é mais do que certo. Será que já pensaram em montar um plano de segurança para a campanha.

O fato é que a Segurança Pública comandada pelo vice-governador Wherles Rocha nunca deu as respostas que o “Especialista” prometeu em campanha.

Rocha, isso está claro, pouco fala em segurança. Sempre que estoura uma crise, o vice-governador some. A população já percebeu essa estratégia.

A família do comandante da Polícia Militar, Ulisses Araújo, é detentora de uma empresa de segurança privada.

Nessas contradições da vida, a firma da família de Araújo preciso que as pessoas se sintam inseguras para aferir mais lucro.

Esta semana, durante o enterro de uma membro de uma organização criminosa, bandidos dispararam tiros dentro de um cemitério público.

Vivemos tempos de uma verdadeiro faroeste caboclo. E o tempo não para. E os ratos da piscina só aumentam.

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