Resposta à coluna sobre PT e eleições: “É prudente deixar que a urna fale”

Resposta à coluna sobre PT e eleições: “É prudente deixar que a urna fale”

Por Ricardo Kotscho

Recebi e reproduzo abaixo o texto dos jornalistas Edmundo Machado Oliveira e José Américo Dias, deputado estadual e coordenador da campanha do PT em São Paulo, em resposta à minha coluna “Aos 40 anos, PT chega às eleições envelhecido, sem votos e sem rumo”, publicada na sexta-feira, dia 30.

Como não sou dono da verdade e respeito as opiniões divergentes das minhas, sempre é bom abrir espaço para que diferentes visões do cenário político e eleitoral sejam levadas ao leitor. Afinal, apesar de tudo, ainda vivemos numa democracia.

É prudente deixar que a urna fale A polêmica é uma das coisas mais deliciosas do espírito humano, e da política em especial. Desde que haja respeito e manifesta vontade de progredir o pensamento, e a ação, não há melhor. É com esse sentimento que respondemos ao comentário de Ricardo Kotscho neste Balaio, em 30/10, para dizer-lhe, respeitosamente, que o PT chega às eleições calejado, com votos e sabendo para onde vai, em vez de, na visão do velho e bom jornalista, chegar “envelhecido, sem votos e sem rumo”.

Se não dá para brigar com os fatos, como diz, Kotscho também há de aceitar que, contra fatos, não há argumentos. As mesmas pesquisas que ele cita como prova de que há remotas chances de o PT se sair vitorioso nas principais cidades também apontam que o PT é o partido preferido por em torno de 1/5 (20%) do eleitorado, apenas para ficar na cidade de São Paulo, onde as sondagens são mais detalhadas. Em 2016, no nosso pior momento, caímos a apenas 9% de preferência do eleitorado.

É sempre muito complicado fazer profecia em política. As urnas costumam ser ingratas, e mesmo cruéis, com as pitonisas.

Nós podemos desde já dizer o que a urna nos trará. Certamente virão alguns desempenhos, próprios ou em coligação, muito bons, seja em Porto Alegre, Belém, Vitória, Fortaleza, Recife e outras capitais. Rio de Janeiro e São Paulo são uma partida de resultado mais aberto do que os últimos 5 minutos de jogo da liga inglesa.

O importante é que está indo embora o “novo normal” do bolsonarismo, da extrema-direita, das fake news e do ódio, constatado por um Kotscho frustrado diante do ambiente tóxico por que passamos. Começou a morrer na Bolívia, no Chile e, tudo indica, o será nas eleições americanas. A ressaca ultraneoliberal do mundo vai diminuindo. Ela teve no Brasil um golpe parlamentar para chamar de seu. Isso jamais deveria ser esquecido por Kotscho.

Vínculos com o eleitorado se rompem e se refazem ao sabor das conjunturas. Veja-se o PSOE espanhol. Lá não teve Lava Jato, mas quase, e ainda assim o partido de Felipe Gonzales refez-se e tem de novo o primeiro-ministro espanhol.

Eleições municipais não são só para prefeito. Em 2016, o PT caiu de mais de 5 mil para em torno de 2.500 vereadores. Agora nos aproximaremos de 4.000, pelo menos. No Congresso Nacional, seguimos com a maior bancada e sem esse peso Bolsonaro possivelmente tivesse conseguido empurrar os R$ 200,00 que queria como auxílio emergencial.

Trabalhamos dia e noite para unificar a pauta da oposição. Jogamos sempre na busca da unidade contra os rasgos fascistas e ultraneoliberais do governo.

Convidamos Kotscho e seus leitores a conhecerem o “Plano para Reconstrução e Transformação do Brasil”, que PT e Fundação Perseu Abramo acabam de lançar.

Mais cedo ou mais tarde, voltaremos, como sociedade, à plenitude da defesa da soberania nacional. Contra a desigualdade social, a luta é todo dia.

Veja o texto original no Balaio do Kotscho.

Leonildo Rosas

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