O Carolíngio governante do Acre

O Carolíngio governante do Acre

Por Tácio Júnior

Houve um certo período de reinado, durante a Idade Média, em grande parte da Europa, que ficou conhecido como a Dinastia Carolíngia. O auge se deu com o grande imperador Carlos Magno – um dos maiores conquistadores da história, colonizador de grande parte do território europeu e fenomenal estadista – e durou até a morte do Rei Luís V da França.

Conhecido por “le Fainéant” ou “o Faz-Nada”, Luís V da França, o décimo-sexto monarca desde o pai de Carlos Magno, morreu prematuramente aos 19 anos de idade. Conta a história que o fracassado “le Fainéant” teria sido morto envenenado pela própria mãe. De tão infrutífero, sequer deixou filhos – pondo fim à descendência real daquele que fora Rei dos Francos (franceses), dos Lombardos (germânicos, hoje alemães) e, também, Imperador dos Romanos.

Como Luís V da França, o governador do Acre, Gladson Cameli, pode deixar de legado histórico “O Nada”. E não precisa olhar a fundo para constatarmos o fraco desempenho do rapaz e seus liderados – se é que podemos chamar-lhe de líder. Basta subtrair as notícias pagas pelo erário e que escrevem à cor da tinta da caneta governamental para verificarmos o que, de fato, fez-se de positivo na atual gestão. Para se ter ideia, mesmo contratando e comprando milhões durante este um ano e quatro meses do atual governo, nem licitação fora feita. Apenas uma chuva de caronas, aditivos e dispensas licitatórias.

A inoperância de órgãos reguladores e fiscalizadores, ante a farra que impera no atual governo, pode até não identificar improbidades ou penalizar gestores. Mas, de certo, contribui para o legado de Gladson – que pode vir a ficar conhecido como o “le Fainéant” do Acre. E, a continuar nessa levada, após os anos como governador só nos restará uma certeza sobre o que se vive hoje na administração do Estado: “o que falta é gestão”.

Para completar, Gladson desdiz o que disse, diz que não disse, não diz o que disse e o que diz acaba por não ter lá muito valor e se esvai ao vento. Senão vejamos o caso da Lei Edvaldo Magalhães, que versa sobre a suspensão da cobrança de empréstimos consignados e tem por objetivo dar um fôlego financeiro aos funcionários públicos do Acre e, principalmente, ao comércio local – por onde deve circular esse dinheiro que deixará de ir para os bancos momentaneamente. O governador disse que sancionaria tal lei, mas, após tanto tempo, joga ao lado dos bancos e contra os trabalhadores. Outro caso é o do possível corte que será feito nas gratificações recebidas por servidores de carreira, supostamente, como forma de enxugar os gastos da máquina administrativa.

Se Gladson Cameli faz isso com o funcionalismo hoje, mas em campanha apareceu na televisão com um mantra em que dizia repetidas vezes que iria “valorizar os servidores”, é certo que as imagens de TV mentem. Pois aquele discurso e a atual prática são de um antagonismo descomunal. Também tem o caso da célebre afirmação de que, se eleito, Cameli iria “colocar as pessoas certas nos lugares certos”. Porém, quando empossado governador, nomeou, entre tantas outras aberrações, o seu motorista para chefiar os mais gabaritados profissionais dos quadros do Estado, entre pós-graduados, especializados, mestrados e doutorados, na Fundação de Tecnologia do Acre. Era o motorista do “le Fainéant” comandando a turma da ciência no governo.

É sabido que os gastos estatais precisam ser enxugados. E porque Cameli não o faz demitindo cargos comissionados e/ou reduzindo os proventos dos mesmos? Porque não diminui o tamanho da máquina com uma reforma administrativa e reduz o número de secretários, assessores e chefes de departamento? Essa é a melhor forma de economizar com gastos desnecessários. É assim que os grandes governantes enfrentam as crises. Como Carlos Magno o faria. Mas, a ser comparado com um Carolíngio, Gladson parece preferir entrar para a história como o “le Fainéant” do Acre.

Leonildo Rosas

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