Não existe espaço para oscilação no ato de governar

Não existe espaço para oscilação no ato de governar


Por Cesário Campelo Braga

Governar de forma oscilante e indecisa aparentemente pode não trazer consequências à população. Porém, em tempos de pandemia, as consequências são bem mais danosas do que uma avaliação despretensiosa pode identificar, cada indecisão, cada oscilação pode custar a vida de centenas ou milhares de pessoas.

A pandemia do novo coronavírus tem revelado líderes responsáveis e firmes, como o presidente da Argentina, Alberto Fernandes, e a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern. Mas, também tem escancarado líderes com atitude criminosa, oscilante e irresponsáveis como é o caso de Bolsonaro, no Brasil, e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No Brasil a situação é mais grave, porque além de não assumir responsabilidades, alguns governantes têm feito um verdadeiro empurra empurra. Vale salientar que o mau exemplo foi dado primeiramente por Bolsonaro, que jogou no colo dos governadores a responsabilidade sobre os efeitos dos decretos de isolamento social na pandemia. No Acre, estamos assistindo o Governador Gladson Cameli tentar se eximir e transferir a responsabilidade às prefeituras.

Para além do empurra empurra, a falta de posicionamento dos gestores, que deveriam se comportar como verdadeiros líderes, tem sérias consequências. segundo o epidemiologista da USP, Paulo Lotufo, gestores que anunciaram a flexibilização da quarentena no futuro cometem um grande erro.

Como exemplo, Lotufo, cita o caso do governador de São Paulo, João Dória, que no último 20 de abril anunciou que, em algumas semanas haveria, a flexibilização da quarentena, o que não ocorreu. É um erro aventar essa possibilidade antes de existir uma certeza de que já poderá ocorrer. “A leitura que passou para a população foi que ‘opa, tudo bem, está liberado’, explica o pesquisador. “O que estamos percebendo é que quando você sinaliza com uma data, as pessoas já assumem a postura na hora”, complementa.

O mesmo erro foi cometido no Acre, por Gladson Cameli, que deu a entender que flexibilizaria o decreto de isolamento. Mas, como de costume, mudou de opinião em meio ao processo, criando a falsa ilusão de que já estávamos com níveis de contaminações em que seria possível o afrouxamento. De certo as consequências serão sentidas no aumento de casos e óbitos, que somente na terça-feira, 23, foram 16.

A pandemia escancarou as desigualdades sociais e igualmente expôs líderes fortes e àqueles que não sabem sequer onde estão metidos. Infelizmente, o Brasil é um transatlântico à deriva e, no Acre, o timoneiro resolveu abrir mão de segurar o leme.

Leonildo Rosas

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