Na contramão do agronegócio nacional, pecuaristas do Acre querem licença para queimar e derrubar

Na contramão do agronegócio nacional, pecuaristas do Acre querem licença para queimar e derrubar

A questão ambiental está no núcleo dos debates nacionais.

Incêndios históricos e devastadores no pantanal e queimadas descontroladas na Amazônia fazem o mundo voltar os olhos para o Brasil.

Os países desenvolvidos não aceitam comercializar produtos cuja origem seja de países que não têm as devidas preocupações com o meio ambiente.

Preocupados com os impactos negativos que podem ser provocados no mercado brasileiro, representantes de mais de 200 empresas do agronegócio, do setor financeiro e organizações ambientalistas se uniram para enviar ao governo propostas de combate ao desmatamento.

O desmatamento acelerado e o aumento dos focos de queimada, que agora incendeiam serras, florestas e o Pantanal, uniram quem já esteve em campos que pareciam opostos. Ambientalistas e empresários do agronegócio estão juntos em busca de soluções que não podem mais esperar. 

Ambientalistas e ruralistas criaram a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que reúne mais de 200 organizações de proteção e de produção.

Na terça-feira, o grupo entregou ao governo federal um conjunto de seis medidas que visam estancar a destruição do meio ambiente e os prejuízos ao Brasil e a imagem do país lá fora.

No mesmo dia, indo na contramão da história e no caminho antagônico dos grandes produtores nacionais, pecuaristas do Acre se reuniram com o governador em exercício Wherles Rocha (PSL) para reclamar dos órgãos ambientais e, nas entrelinhas, obter licença para queimar e desmatar.

Na reunião, o presidente da Federação da Agricultura e Agropecuária do Estado do Acre (Faeac), Assuero Veronez, que recentemente permitiu que os tratores destruísse os geoglifos do sitio história em sua propriedade, disse que recebeu uma multa por plantar acima de 30 hectares de soja e afirmou que isso é inadmissível.

A multa não foi pelo plantio. Foi porque não pediu a devida licença ambiental, conforme prevê a legislação brasileira.

Outro que reclamou foi o pecuarista Jorge Moura, que tachou o governo anterior de perseguidor. “Vamos mudar! Político que atrasa o estado, vamos banir e não vamos votar mais. Nós temos tudo, temos clima, terra boa e homens com vontades de trabalhar”, disse.

Jorge Moura contou com o apoio forte da administração anterior, por meio do então secretário de José Carlos Reis, que disponibilizou, dentro da lei, equipamentos de ponta para que o pecuarista pudesse produzir, inclusive soja.

Em tempo de eleição, as pressões são fortes.

Os mesmo pecuaristas se reuniram com o pessoal que cuida dos assuntos ligados ao meio ambiente no governo.

Foi prometido que o licenciamento ambiental no Acre sofrerá mudanças com o intuito de solucionar entraves relacionados à produção agrícola no Estado.

Quem pede em nível nacional mais rigor na questão ambiental são os grandes do agronegócio.

Trata-se de uma coalizão que pede, dentre outras coisas, retomada e intensificação da fiscalização com uso de tecnologia e com a destruição de equipamentos usados por criminosos ambientais; quer a suspensão dos registros no Cadastro Ambiental Rural de áreas ocupadas ilegalmente – a chamada grilagem – em terras indígenas e em florestas públicas; o grupo reivindica que, em 90 dias, o governo federal transforme 10 milhões de hectares em áreas de proteção e uso sustentável em regiões que sofram com o desmatamento. Veja a matéria

Aqui no Acre os que vão na contramão é a velha turma de Assuero Veronez e companhia.

Leonildo Rosas

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