Sem querer ser sardônico, mas o semblante da secretária de Saúde, Mônica Kanaan, parecia carregado. Havia uma leve semelhança com a ministra Damares Alves.

Os seus trejeitos denotavam ser de alguém que está sofrendo grande pressão para dar respostas imediatas a um problema antigo, que se agravou muito nos últimos seis meses.

As imagens captadas pelo excelente repórter fotográfico Sérgio Vale falam muito mais do que um texto gigante.

Mas cabe fazer algumas observações.

A primeira foi a infelicidade da secretária ao afirmar que conseguirá dar conta do recado com apenas 20% dos servidores que querem trabalham.

Parece algo filaucioso.

Ela espanta, quando deveria juntar o exército.

Atualmente, a Secretaria de Estado de Saúde conta com cerca de cinco mil servidores ativos.

Não é crível que 80% desses profissionais estejam fazendo corpo mole, como sugere a senhora Kanaan.

Se assim estivessem, a situação estaria bem pior, sem sombra de dúvidas.

Obviamente, há muita gente mal acostumada, que deixa de cumprir com as suas missões funcionais, que maltrata os pacientes e está pouco interessada em prestar uma saúde pública de qualidade.

Mas, dizer que esse tipo de gente é a maioria, é ofender a quem se dedica de corpo e alma na missão de salvar vida.

Mônica Kanann também vem falando, desde que pôs os pés no Acre, sobre a necessidade de os municípios assumirem as suas responsabilidades.

Dirige a fala diretamente à responsabilização das Unidades de Pronto Atendimento. É mais uma demonstração de quem desconhece sobre o que fala.

É fato que UPA deve ficar com a administração municipal, está em lei.

Ocorre que tudo necessita de pactuação.

E o município de Rio Branco, embora cada unidade receba até R$ 500 mil por mês do Ministério da Saúde, não vai aceitar essa missão.

O ônus é maior do que o bônus.

O dinheiro do governo federal pode suprir o custeio, mas vai faltar para pagar pessoal. E a população será penalizada.

Em termos políticos, a participação da secretária foi um desastre.

Jogou contra o seu chefe, o governador Gladson Cameli, a maior parte de uma categoria que ameaça fazer greve histórica.

Foi a política e a democracia que levaram Cameli ao posto de governador e a senhora Kanaan à função de secretária de Estado.

Não será na truculência, na militarização e na ponta do coturno que a Saúde conseguirá ser melhor para aqueles que mais necessitam.

Fotos: Sérgio Vale.