Lula impacta 2022 e empata com Bolsonaro em popularidade digital um mês após aval de candidatura

Lula impacta 2022 e empata com Bolsonaro em popularidade digital um mês após aval de candidatura

Petista teve pico em monitoramento de redes sociais e chegou a desbancar presidente em ranking da Quaest

Por Joelmir Tavares

SÃO PAULO – A reabilitação eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que completa um mês nesta quinta-feira (8), impactou o cenário para 2022 a ponto de incomodar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em um terreno no qual ele ostenta desenvoltura, o das redes sociais.

Segundo o IPD (Índice de Popularidade Digital), ranking produzido pela consultoria Quaest, Lula estava empatado tecnicamente com Bolsonaro no quesito desempenho digital no início desta semana, depois de um pico em meados de março que fez o atual presidente assumir um inédito segundo lugar.

Bolsonaro, que lidera o IPD desde que o monitoramento foi criado, em janeiro de 2019, ficou atrás de Lula por nove dias consecutivos a partir de 8 de março, data em que o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), anulou as condenações do petista na Operação Lava Jato.

Na última segunda-feira (5), quando a Quaest concluiu o relatório do período, os dois pré-candidatos à Presidência estavam em posição de empate técnico: Bolsonaro com 63,3 e Lula com 61,1.

Para analistas ouvidos pela Folha, o quadro na esfera virtual confirma a previsão de polarização entre bolsonarismo e petismo para a eleição de 2022, já que não surgiu até o momento um nome capaz de rivalizar com os dois campos que chegaram ao segundo turno em 2018.

Embora evite se colocar desde já como concorrente, o petista fez discurso de candidato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC dois dias após a decisão de Fachin, intensificou o volume de entrevistas no Brasil e no exterior e passou a se colocar como um dos líderes da oposição ao governo.

A estratégia do PT, contudo, passa por desestimular a antecipação do clima eleitoral, preparando as bases ao longo de 2021, com atuação na defesa da vacinação e no enfrentamento à fome e ao desemprego, para só depois colocar a pré-campanha na rua.

Bolsonaro já vinha em tendência de queda no IPDantes mesmo da decisão do STF que recolocou Lula no páreo. A piora refletiu as críticas à condução de medidas contra a pandemia da Covid-19 e o agravamento da crise econômica. Em 1º de janeiro, a pontuação do mandatário alcançava a marca dos 83,2.

O ex-presidente vinha ganhando impulso e atingiu o ápice em março, com a mudança em sua situação jurídica. Depois disso, ele caiu e voltou a subir, ameaçando o atual titular do Executivo. Caso se candidate, o petista terá o desafio de ampliar sua presença digital, ainda inferior à do adversário.

A métrica do IPD avalia o desempenho de personalidades da política nacional nas plataformas Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, Wikipedia e Google. A performance é medida em uma escala de 0 a 100, em que o maior valor representa o máximo de popularidade.

São monitoradas seis dimensões nas redes: fama (número de seguidores), engajamento (comentários e curtidas por postagem), mobilização (compartilhamento das postagens), valência (reações positivas e negativas às postagens), presença (número de redes sociais em que a pessoa está ativa) e interesse (volume de buscas no Google, YouTube e Wikipedia).

A única vez em que Bolsonaro havia sido superado ocorreu em dezembro de 2019, quando ele foi desbancado pelo apresentador Luciano Huck, cotado como presidenciável. O resultado, porém, não é comparável com o de agora, segundo o coordenador do IPD, o cientista político Felipe Nunes.

Isso porque os parâmetros do estudo foram atualizados de lá para cá, incluindo a variável de que na época o acompanhamento era mensal e, desde março de 2020, é diário.

Das 13 figuras monitoradas, outra que se destacou no dia do fechamento do novo relatório foi o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil(PSD-MG). Ele disparou ao bater de frente com o ministro do STF Kassio Nunes Marques sobre a liberação de cultos religiosos no pior momento da pandemia.

Kalil tinha 45,9 pontos na segunda-feira, à frente de presidenciáveis como Ciro Gomes (PDT), com 36,3, Huck (sem partido), com 29,7, Sergio Moro(sem partido), com 23,1, e João Doria (PSDB), com 19,7.

Fernando Haddad, que era tido como o pré-candidato do PT antes da decisão que devolveu ao ex-presidente o direito de concorrer, aparecia na mesma data na 8ª posição, com 26,7.

No caso dos dois nomes do topo do gráfico, a observação de detalhes levou os pesquisadores à conclusão de que Lula vem conquistando novos seguidores em um ritmo maior que o de Bolsonaro.

O atual mandatário se manteve estável no Twitter entre 1º de fevereiro e 12 de março, ao passo que o ex-presidente cresceu 8%. De 12 de março em diante, ambos tiveram alta nesse quesito, mas em velocidades diferentes: Lula ganhou 117 mil, enquanto Bolsonaro amealhou 28 mil novos seguidores.

Veja a matéria completa aqui

Leonildo Rosas

Related Posts

Warren Buffett tem de escolher Flávio Bolsonaro como seu sócio no Brasil

Warren Buffett tem de escolher Flávio Bolsonaro como seu sócio no Brasil

Em um ano de covid, 2 a cada 3 doentes intubados em UTI morreram no Brasil

Em um ano de covid, 2 a cada 3 doentes intubados em UTI morreram no Brasil

Moro e Lava Jato trocaram informações sobre denúncia contra Lula

Moro e Lava Jato trocaram informações sobre denúncia contra Lula

No Comment

Deixe uma resposta