Há um apagão silencioso do governo sobre os absurdos da Energisa; qual o motivo de não soar um miado de gato oficial?

De tempos em tempos, a população dá um apagão de consciência e resolve mergulhar no escuro.

Foi mais ou menos isso que aconteceu quando algumas vozes alertaram sobre os efeitos da privatização da Eletroacre. Seguido a cartilha liberal, a maioria dos nossos parlamentares disse sim à venda da estatal por R$ 50 mil.

O povo ficou estático.

Um dos que concordou foi o governador Gladson Cameli. Durante o debate na TV Acre, ele foi indagado sobre o tema pelo petista Marcus Alexandre, mas tratou de desligar.

Na tribuna da Câmara dos Deputados, o ex-deputado Léo de Brito cobrou posição de Cameli. O silêncio foi a resposta.

Hoje, boa parte da sociedade reclama dos preços abusivos praticados pela Energisa, empresa que adquiriu a antiga Eletroacre.

A Assembleia Legislativa instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as tarifas, mas é pouco provável que os resultados venham ao encontro daquilo que o consumidor espera.

Enquanto os consumidores, que ficaram inertes no processo de privatização, estão em choque, não se ouve um miado por parte do governador e da sua equipe.

Mas por que tamanho silêncio governamental?

É importante o leitor saber de algumas coisas.

Uma delas é que a família do governador Cameli ganha muito dinheiro no ramo de energia no Amazonas e no Mato Grosso.

É coisa de bilhões.

Em fevereiro do ano passado, a Construtora Etam, em consórcio com a Oliveira Energia Geração e Serviços, assinou três contratos com a Amazonas Distribuidora de Energia, no valor mensal de R$ 206,3 milhões, para fornecer energia às comunidades amazonenses isoladas.

Esses contratos podem ser renovados por até 192 meses. Por 16 anos.

Nessas coincidências pouco coincidentes, a Oliveira Energia Geração e Serviços arrematou, em leilão, a Amazonas Distribuidora, assim como a Energisa arrematou a Eletroacre.

Os negócios da família no ramo de energia não ficam restrito ao Amazonas.

Os irmãos do governador, Gledson e Eládio Júnior, são sócios de uma Pequena Central Hidrelétrica no Mato Grosso, a Germat – Geradora de Energia do Estado do Mato Grosso.

Eles vendem energia.

No Mato Grosso, a maior compradora e geradora de energia é a Energisa, essa mesma que comanda tudo aqui no Acre.

Com tanto dinheiro em jogo, será que vale a pena o governo e o governador entrarem em rota da colisão com a Energisa?

Tácio Jr

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