Guaraná Jesus, apesar do nome, foi criado por um ateu; conheça a história

Guaraná Jesus, apesar do nome, foi criado por um ateu; conheça a história

O Guaraná Jesus foi usado por Bolsonaro para fazer piada homofobia contra os maranhenses

Por Julinho Bittencourt

O Guaraná Jesus, alvo de piada homofóbica do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido-RJ), é o símbolo do Maranhão. Curiosamente, seu inventor, Jesus Norberto Gomes era declaradamente ateu. E, além disso, fato que pode fazer o presidente engasgar novamente com o refrigerante, tinha fama de comunista.

Seu neto Fábio Gomes conta, em entrevista à revista Piauí, em 2007, que o avô tinha uma visão à frente em relação aos direitos trabalhistas. “Quando ninguém falava em participação dos funcionários, meu avô dava participação nos lucros da farmácia”, diz.

Isso fez com que surgisse o boato de que Jesus era comunista. Em novembro de 1935, Norberto Gomes e outras 80 pessoas acabaram tendo suas prisões decretadas em decorrência da Intentona Comunista. O grupo foi levado até o Rio de Janeiro e permaneceu lá até o ano seguinte.

Ele mesmo desmente, em uma carta-testamento escrita de próprio punho, em 1958: “Não fui e não sou socialista, infelizmente, porque seria um idealista. Como pequeno-burguês tenho defeitos, mas sou admirador sincero desse regime verdadeiramente humano, onde pode ser obtida a verdadeira democracia”.

Jesus abriu uma farmácia em São Luís aos 20 anos. Ele tinha o hábito de batizar suas invenções com o seu próprio nome. Fez assim como o Antigripal Jesus, o Xarope Peitoral Jesus e a Jesulina Pasta Dentifrícia.

E foi assim também com o Guaraná Jesus, criado em uma seção de águas gasosas e refrigerantes, algo que era comum nas farmácias da época. A primeira versão do produto não agradou. Após novas tentativas, chegou finalmente à fórmula, toda feita à base de extratos vegetais, que passou a ser amada pelo povo maranhense. Até mesmo o corante do refrigerante era natural.

A família de Jesus vendeu a fábrica própria, em 1961, para a então Cervejaria Antárctica Paulista. O contrato, no entanto, foi cancelado por adulteração da fórmula original.

Jesus Norberto Gomes faleceu dois anos depois, em 1963. Anos depois, em 1980, a família Gomes vendeu a marca à antiga Companhia Maranhense de Refrigerantes, que na época era franqueada pela Coca-Cola Brasil no estado.

O Guaraná Jesus foi adquirido pela multinacional, em 2001, e passou a fazer parte do portfólio e mantém, até hoje, sua identidade e seu sabor característico preservados.

Os elementos gráficos do rótulo remetem à própria cor do guaraná, já o logotipo escrito “Jesus” é a singular assinatura de seu criador.

Em 2008, foi escolhida através de uma campanha, a nova identidade visual do Guaraná Jesus por meio de voto popular. O modelo selecionado foi aquele que remete aos azulejos coloniais portugueses de São Luís.

A campanha ganhou medalha de ouro de Melhor Estratégia de Marketing no Prêmio Internacional de Excelência em Design (IDEA).

Antes engarrafado somente em São Luís e distribuído em três estados: o próprio Maranhão, Piauí e Tocantins. Agora, o Guaraná Jesus ganhou outras praças. Desde 2016 passou a ser vendido em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Brasília.

Com informações do Aventuras na História do UOL

Matéria original aqui.

Leonildo Rosas

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