Gladson Cameli deveria explicar onde a crise da Previdência estadual teve início

Sempre que está em dificuldade para se explicar sobre o descontrole das contas públicas, Gladson Cameli recorre ao passado para dizer que herdou um Estado falido.

O governador está acima do limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal com gastos de pessoal, terá que adotar medidas duras e prepara o terreno para minimizar o desgaste.

Mas, quando investe no discurso caótico, ele briga com a verdade. Dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) desmentem o discurso do governador.

O último relatório da STN classifica o Acre com a nota B, o que atesta a plena saúde financeira estatal.

É justamente essa Saúde que está permitindo a Cameli pleitear aquilo que ele e os seus aliados mais criticavam: os empréstimos.

Antes de ser exonerado, o ex-secretário de Planejamento Raphael Bastos confirmou que Gladson Cameli herdou R$ 1,3 bilhão do governo Tião Viana para investir.

O último relatório publicado pela Secretaria de Estado da Fazenda também aponta que há margem suficiente para a contratação de novas operações de crédito.

Em texto muito mal escrito por sua assessoria de Comunicação, o governador fez publicar na imprensa que herdou dívida de R$ 3,8 bilhões.

Não foi ele quem herdou. Isso é algo do Estado, inclusive constam débitos do falido Banco do Estado do Acre, o Banacre.

Gladson Cameli seria mais honesto se falasse sobre o verdadeiro e maior problema do Estado do Acre e a maioria dos estados brasileiro: a Previdência.

Ainda na transição, ele foi informado que esse seria o seu calcanhar de Aquiles. E a origem do rombo previdenciário está longe dos governos da Frente Popular.

Na metade do governo Orleir Cameli, o Fundo Previdenciário foi extinto. O discurso é que o dinheiro seria investido na construção de casas populares, o que não aconteceu.

O dinheiro do Fundo Previdenciário, corrigido, hoje estaria em torno de R$ 1,5 bilhão. Não resolveria, mas daria um fôlego.

A verdadeira bomba relógio armada no fim da década de 1990 estourou a partir de 2015, quando os servidores tiveram que se aposentar.

Sem fundo suficiente, o governo tem sido obrigado a retirar recursos do tesouro para pagar aposentadorias, o que inviabiliza os investimentos. Por isso, Cameli quer outro empréstimo.

O governo receberá cerca de R$ 400 milhões dos recursos da chamada cessão onerosa do pré-sal. Boa parte será para a Previdência, mas pouco resolverá se não vir a reforma da previdência estadual.

Cameli esquece que existe o Google para as pessoas pesquisarem e comprovarem as suas contradições.

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