Game over

Game over

Carioca Nepomuceno*

Se o PT, por hipótese, tivesse encomendado ao renomado diretor de cinema, Quentin Tarantino, que escrevesse um roteiro para punir os que lhe trataram com injustiça, por terem cuspido no prato que comeram, arrisco dizer que o hipotético filme não seria diferente do cenário descortinado no final do primeiro turno.

É questão de dias para que o candidato Tião Bocalom seja declarado prefeito de Rio Branco.

Diferente do Bolsonaro e seus seguidores, eu acredito na ciência.

Como historiador, costumo olhar para o retrovisor da história antes de emitir uma opinião sobre as probabilidades futuras.

Não há registro na história da reeleição no Brasil em que um candidato tenha virado uma eleição com números tão díspares.

Foram cerca de 370 votos que separaram Bocalom da vitória, já no primeiro turno. Ele tem mais do dobro dos votos da sua oponente, 49,58% X 22,68%.

Como diria alguns treinadores no papo de vestiário, longe da imprensa, É CAIXÃO E VELA PRETA!

Essa pequena quantidade de votos tem de sobra nos corredores da UFAC, onde grande parte dos seguidores do candidato derrotado Minoru Kimpara votarão em qualquer concorrente capaz de derrotar a atual prefeita, sua reconhecida desafeta.

Situação análoga ocorre nas bases do PT pelos motivos já expostos. E o que dizer da leva incontável de oportunistas que farejam poder, procurando ficar perto de quem aparenta ser o próximo laureado.

Com os sinais emitidos no primeiro turno, ouso dizer que muitos mudarão de lado. Serão duas semanas inesquecíveis para os apoiadores da prefeita.

Nas próximas duas semanas a professora Socorro Neri, contra quem pessoalmente não tenho absolutamente nada, viverá o incômodo de ouvir pelas ruas de Rio Branco o brado de eleitores mais afoitos: “é balsa”, “vai visitar Manacapuru” e congêneres.

Ao lado do governador, um dos grandes derrotados dessa eleição, sentirá de perto o desapego da população a quem ela não foi ao encontro como fazia Marcus Alexandre.

Ao ouvir assessores e auxiliares dizendo, “vamos virar”, “não tem nada perdido”, saiba que eles mesmos não acreditam nisso. Estão falando unicamente pelo desejo de permanecer onde estão.

É recomendável não perder de vista seu grande apoiador. Ele rompeu com o seu principal cabo eleitoral na campanha que o elegeu, senador Sérgio Petecão, brigou com o seu vice e em Rio Branco desdenhou e deu as costas para o seu próprio partido.

Com tanto zigue-zague, cabe o questionamento: o que ele fará no segundo turno, vai se esconder ou vai se expor mesmo sabendo que a derrota é iminente?

A postura grandiosa que tiveram nessa campanha o deputado Daniel Zen e os ex prefeitos: Jorge Viana, Angelim e Marcus Alexandre indo disputar voto a voto na planície não é para qualquer um.

Aguardemos.

Exceto se ocorrer um escândalo de proporções bíblicas envolvendo seu oponente, esse segundo turno será como uma cirurgia simples, o médico diz: toda cirurgia, por mais simples que seja, tem um risco.

O marqueteiro fala a mesma coisa em relação as eleições, toda eleição por mais definida que possa parecer tem um risco e, no final, o paciente dificilmente morre e o favorito quase sempre vence.

Essa foi uma das eleições mais curtas da nossa história recente, além do isolamento social por conta da pandemia. Esses fatores favoreceram aos candidatos mais conhecidos.

Os prefeitos bem avaliados, mesmo com a pandemia, por serem conhecidos tiraram proveito.

São os exemplos de Bruno Covas, em São Paulo, e Alexandre Kalil, em Belo Horizonte.

Já no Rio de Janeiro, o prefeito Marcelo Crivella, mal avaliado, foi facilmente suplantado pelo, não menos conhecido Eduardo Paes.

Em Rio Branco, Bocalom surfou na impopularidade da prefeita e na memória eleitoral do eleitor, após vê-lo por cinco vezes como candidato majoritário.

É bom fazer as coisas com coerência porque você não precisa se explicar de nada. Aos que pisotearam suas biografias por seis meses de salário e agora cobram nas redes sociais coerência da esquerda, fiquem tranquilos: dizer e fazer como se fosse a mesma coisa é a nossa praia.

Por exemplo, não votamos em candidatos bolsonaristas ou apoiados pela direita conservadora.

No Acre, ninguém encarna melhor essa dupla característica do que o principal apoiador da prefeita, o governador Gladson Camelli. Quase 80% dos eleitores disseram um sonoro não a reeleição da atual gestão. Procurem novos afazeres, com urgência.

O PT, em breve, fará um debate acerca da campanha. O balanço criterioso que faremos deve considerar as variáveis dessa eleição e apontar os rumos da organização do partido para os próximos embates.

E o segundo turno? Vou defender que o PT não se intrometa, ouça as lideranças, a militância e a direção encaminha.

Fim de jogo ou game over.

*Carioca Nepomuceno é Historiador e dirigente do PT.

Leonildo Rosas

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