E se fosse com você?

E se fosse com você?

Por Joci Aguiar*

Sempre que há um tema polêmico que ocupa destaque nas redes sociais, me pergunto e se fosse comigo? E se fosse eu? Trago essa reflexão, porque não é um hábito das pessoas ter “empatia” se colocar no lugar do outro, ou procurar se sentir como o outro.

A grande polêmica do momento no Acre é a contratação do Goleiro Bruno pelo Rio Branco Futebol Club.

O Brasil e o mundo inteiro sabem do crime hediondo que Bruno cometeu, apesar de negar, todas as evidências o apontam como culpado do assassinato da modelo Eliza Samúdio e de entregar o filho bebê para ser morto numa favela, tudo isso para não pagar pensão.

Os defensores de Bruno, na maioria “homens”, argumentam será que ele não merece uma segunda chance, ele não pode ser ressocializado?

Aí me pergunto e se o Bruno fosse meu filho e, tivesse cometido tal crime hediondo? Claro que eu gostaria que ele fosse ressocializado, mas não como ele era, com todos os holofotes e tratado como ídolo, ele teria que recomeçar de forma discreta e pelo menos demonstrar arrependimento para como mãe ter meu apoio na sua ressocialização, principalmente porque como mãe também sou mulher e também poderia ser a mãe da Eliza.

E se a Eliza fosse a minha filha? Eu ia querer que ele tivesse prisão perpétua, que nunca mais convivesse em sociedade. Viu a diferença de visão quando você se coloca no lugar do outro.

Como humanos temos falhas, mas não devemos perder o senso de justiça, perder a empatia.

No Brasil. a cada sete horas. uma mulher morre por feminicídio, os motivos são os mais banais basta ser mulher.

O Acre é o estado que mais mata mulheres por feminicídio.

É brincar e zombar da cara de todas as mulheres acreanas trazer um feminicida para o Estado, é incentivar mais a violência contra a mulher, é dizer aos adolescentes e jovens que mesmo que você faça algo tão hediondo você ainda pode ser um ídolo e ser famoso.

Os últimos acontecimentos no Brasil nos mostram que temos uma sociedade doente, que exalta quem diz que vai matar, que persegue os que pensam diferente.

É tratado como Mito quem mente e engana as pessoas. É ídolo quem assassina e esquarteja.

Vivemos num momento da banalização da barbárie, onde sentimentos como o amor, solidariedade, compaixão não existem. O que existe é o racismo, o machismo, a homofobia, o ódio, o falso moralismo e a idolatria aos maus.

Precisamos repensar o sistema jurídico no Brasil, temos uma justiça que é parcial e tem olhos abertos para uns e é cega para outros.

O Brasil precisa de uma reforma estrutural em todos os sentidos, o sistema prisional precisa ser repensado, a sociedade precisa discutir e construir alternativas de ressocialização.

Reflita qual o mundo e sociedade você quer construir? Qual o novo normal que virá daqui pra frente?

Eu quero o anormal, porque esse normal é de matar.

*Joci Aguiar é mulher feminista e ambientalista

Leonildo Rosas

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